Luiz de Queiroz, o Pai da Agricultura (1)

*Artigo e fotos/imagens  retirados do livro “Piracicaba, a doçura da terra”, de Cecílio Elias Netto.

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Se realmente há os que nascem com um destino profético e missionário, este foi – de maneira heroica, sofrida, mas persistente – Luiz Vicente de Souza Queiroz. Ele não ficou na praia, atirando-se na água, nadando desesperadamente. Sua obra visionária, sua antevisão de futuro foram a pedra fundamental para o Brasil se transformar na potência agroindustrial que hoje é. E Piracicaba deve, a esse homem singular, atitudes e feitos pioneiros que têm sido a base de nosso desenvolvimento científico, cultural e de cidadania. A seguir, uma breve biografia.

Nome completo: Luiz Vicente de Souza Queiroz. Quinto filho do Barão de Limeira (Vicente de Souza Queiroz), Luiz de Queiroz nasceu em 12 de junho de 1849, numa chácara situada bem no coração da cidade de São Paulo, a mansão dos Barões de Limeira. Seu nome é uma homenagem ao avô e ao pai. A mãe, Francisca de Paula Souza, também tinha o seu nome por lembrança do pai também famoso, o Senador e Conselheiro do Império, Francisco de Paula Souza e Mello.

Luiz de Queiroz cursou, quando jovem, a escola de agricultura e veterinária de Grignon, na França, instalada num antigo castelo do século XIII e a de Zurique, então na Suiça Alemã. Em 1872, com a morte do pai, herda fazendas situadas entre Piracicaba (então chamada Constituição) e Limeira. Aos 24 anos, hospedando-se em Piracicaba, na mansão de seus tios, os Marqueses de Valença – hoje conhecida como Chácara Nazareth – imaginou, ao olhar a imponência do rio e seu majestoso salto, um meio de aproveitar aquele enorme potencial energético. Espírito empreendedor, decide instalar uma fábrica de tecidos movida por força hidráulica. Obstáculos? Não para ele. E é assim que se torna um dos pioneiros ao instalar a Fábrica de Tecidos Santa Francisca, nome dado em homenagem à sua mãe. Com 50 teares, a fábrica, logo de início, dá trabalho a 70 operários, tendo a capacidade produtiva de 2.400 metros de pano por dia.

Piracicaba, a essa época, era a terceira cidade da Província de São Paulo em número de escravos (5.339, dos 174.622), superada apenas por Bananal e Campinas. Mas, nas propriedades de Luiz de Queiroz, nunca houve mão de obra escrava. Em seu dinamismo, utilizou o transporte fluvial para sua produção, adquirindo barcos que navegavam pelos rios Piracicaba e Tietê até São Pedro, Dois Córregos e Jaú, na margem direita, e Botucatu e Lençóis, na esquerda.

Casamento e sonho

Em 1880, Luiz de Queiroz casou-se com Ermelinda Ottoni, filha do Conselheiro do Império Cristiano Ottoni e de Bárbara de Barros Ottoni. O casal foi morar no palacete construído à beira do rio e aos pés do salto, terreno que toma todo um quarteirão da rua do Vergueiro à Avenida Beira Rio. O lugar, em 1900, foi chamado de “O Seio de Abrahão”, tal a beleza de sua construção e paisagem. O casal não teve filhos e Luiz de Queiroz — cujo apelido era Lulu — dedicava-se, nos momentos de lazer, às plantas, desenvolvimento de parques e jardins e a obras de benemerência. Dona Ermelinda viveu sua existência doando-se às obras pias, ao catecismo e preparação de crianças para a primeira comunhão.

De temperamento alegre e sociável, Luiz de Queiroz arborizou praças e grande número de ruas, oferecendo plantas ornamentais a conhecidos e amigos. Monta a Serraria Água Branca, importa, de Paris, luxuoso carro que desperta a atenção pública e passa a ser notícia da imprensa. Agrônomo, entende que uma escola de agronomia é indispensável não só para socorrer a produção de matéria prima de que necessita para seus teares ou usinas, mas, também, para as culturas comerciais. Isso se torna o seu grande sonho que começa a se tornar palpável quando, em 1889, adquire a fazenda São João da Montanha, de propriedade de João Florêncio da Rocha, com 131 alqueires e distando três quilômetros da cidade.

2 comentários

  1. Luiz Alberto de Souza Queirós em 21/10/2017 às 11:46

    Os verdadeiros grandes homens, patriotas e realizadores de obras fantasticas com o proprio dinheiro, e que jamais se serviu de mão de obra escava, são esquecidos.
    Hoje pouca gente sabe quem foi Luiz Vicente do Souza Queirós, o Luiz de Queirós, o dr. Lulu, nem em São Paulo, nem em Piracicaba e nem entre alunos e funcionários da ESALQ.
    Vergonhosa a nossa ignorancia historica.

  2. Rogério Gonçalves em 13/11/2017 às 10:35

    Caríssimo Sr. Luiz Alberto de Souza Queirós. Saiba que para mim, Luiz de Queiróz foi um dos maiores, senão o maior homem piracicabano. Um grande brasileiro. Um idealista, que, visionário, usou de seu talento em prol do bem. Amigo. A história não é ignorada. Ela somente é posta de lado quando não interessa aos gestores do poder. Isso é muito triste. Não somos um país vira-latas. Temos heróis. Luiz de Queiroz é um deles. Basta que brademos por nossos valores. Que demos o exemplo e exijamos o fim desta cultura de destruição, partindo par a valorização do nosso. Ser brasileiro. Conhecer o Brasil. Amar uma pátria. Construir um Brasil do bem, bom e leal. Grande abraço. Rogério Gonçalves. [email protected]. Autorizo a publicação.

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