Luiz de Queiroz

Nome completo: Luiz Vicente de Souza Queiroz. Quinto filho do Barão de Limeira (Vicente de Souza Queiroz), Luiz de Queiroz nasceu em 12 de junho de 1849, numa chácara situada bem no coração da cidade de São Paulo, a mansão dos Barões de Limeira. Seu nome é uma homenagem ao avô e ao pai. A mãe, Francisca de Paula Souza, também tinha o seu nome por lembrança do pai também famoso, o Senador e Conselheiro do Império, Francisco de Paula Souza e Mello.

Luiz de Queiroz cursou, quando jovem, a escola de agricultura e veterinária de Grignon, na França, instalda num antigo castelo do século XIII e a de Zurique, então na Suiça Alemã. Em 1872, com a morte do pai, herda fazendas situadas entre Piracicaba (então chamada Constituição) e Limeira. Aos 24 anos, hospedando-se em Piracicaba, na mansão de seus tios, os Marqueses de Valença – hoje conhecida como Chácara Nazareth – imaginou, ao olhar a imponência do rio e seu majestoso salto, um meio de aproveitar aquele enorme potencial energético. Espírito empreendedor, decide instalar uma fábrica de tecidos movida por força hidráulica. Obstáculos? Não para ele. E é assim que se torna um dos pioneiros ao instalar a “Fábrica de Tecidos Santa Francisca”, nome dado em homenagem à sua mãe. Com 50 teares, a fábrica, logo de início, dá trabalho a 70 operários, tendo a capacidade produtiva de 2.400 metros de pano por dia.

Piracicaba, a essa época, era a terceira cidade da Província de São Paulo em número de escravos (5.339, dos 174.622), superada apenas por Bananal e Campinas. Mas, nas propriedades de Luiz de Queiroz, nunca houve mão de obra escrava. Em seu dinamismo, utilizou o transporte fluvial para sua produção, adquirindo barcos que navegavam pelos rios Piracicaba e Tietê até São Pedro, Dois Córregos e Jaú, na margem diretia, e Botucatu e Lençóis, na esquerda.

Casamento e sonho

Em 1880, Luiz de Queiroz casou-se com Ermelinda Ottoni, filha do Conselheiro do Imprério Cristiano Ottoni e de D.Bárbara de Barros Ottoni. O casal foi morar no palacete construído à beria do rio e aos pés do salto, terreno que toma todo um quarteirão da rua do Vergueiro à Avenida Beira Rio. O lugar, em 1900, foi chamado de “O Seio de Abrahão”, tal a beleza de sua construção e paisagem. O casal não teve filhos e Luiz de Queiroz — cujo apelido era Lulu — dedicava-se , nos momentos de lazer, às plantas, desenvolvimento de parques e jardins e a obras de benemerência. Dona Ermelinda viveu sua existência doando-se às obras pias, ao catecismo e preparação de crianças para a primeira comunhão.

De temperamento alegre e sociável, Luiz de Queiroz arborizou praças e grande número de ruas, oferecendo plantas ornamentais a conhecidos e amigos. Monta a Serraria Água Branca, importa, de Paris, luxuoso carro que desperta a atenção pública e passa a ser notícia da imprensa. Agrônomo, entende que uma escola de agronomia é indispensável não só para soorrer a produção de matéria prima de que necessita para seus teares ou usinas, mas, também, para as culturas comerciais. Isso se torna o seu grande sonho que começa a se tornar palpável quando, em 1889, adquire a fazende São João da Montanha, de propriedade de João Florêncio da Rocha, com 131 alqueires e distando três quilômetros da cidade.

A usina elétrica

Luiz de Queiroz passa a dedicar sua vida à ralização do sonho: uma Escola Agrícola. Trabalha com afinco, gasta praticamente toda a sua fortuna no empreendimento e busca socorrer-se do apoio do Estado: pede uma subvenção, que lhe foi negada, como negado lhe foi o pedido do frete gratuito para os materirias destinados à construção. Suas dificuldades aumentam, pois, além da construção da escola, ele decidira explorar as águas do rio para criar uma usina elétrica, acabando por oferecer, à municipalidade, sob contrato, a instalação da usina que forneceria energia a toda a cidade. Para isso, traz dos Estados Unidos toda a maquinaria e um engenheiro eletricista.

O prédio é construído inteiramente de pedras, em estilo estadunidense, à margem esquerda do Rio Piraciacba, defronte à Ilha dos Amores (atual Museu d´Água.) A usina teria duas turbinas com 250 cavalos de força e três dínamos Thompson & Houston. O maior deles é destinado à iluminação particular, desenvolvendo 1.200 ampères e os dois outros, com 770 ampères, à iluminação pública. A usina é inaugurada em 6 de setembro de 1893 e, graças a ele, Piracicaba teve luz elétrica antes de qualquer nação sul-americana e de muitos países europeus, antes também de São Paulo e Rio de Janeiro.

A Escola Agrícola

No dia 11 de maio de 1892, a Câmara dos Deputados de São Paulo decidiu promulgar a lei nº 26, pela qual ficava, o Executivo paulista, autorizado a fundar uma escola superior de agricultura e uma de engenharia e a estabelecer, nos lugares que se julgassem apropriados, dez estações agronômicas com seus respectivos campos experimentais.

Diante disso e com graves dificuldades financeiras, Luiz de Queiroz, para realizar o sonho, decidiu doar ao governo a sua amada Fazenda São João da Montanha, com todas as benfeitorias existentes mas com uma condição: no prazo de dez anos, teria que ser concluída e inaugurada a sua sonhada escola. Os percalços, no entanto, multiplicaram-se, as dificuldades aumentaram e Luiz de Queiroz não viveu para ver seu sonho: em 11 de junho de 1898, repentinamente, ele morre, em plena atividade. É enterrado no dia 12 de junho, seu aniversário, no Cemitério da Consolação na capital paulista, no jazigo dos Barões de Limeira, à rua 8, sepultura 38 e 39.

Em 12 de junho de 1964, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, — o sonho, enfim, realizado, — construiu um mausoléu defronte o prédio principal, conseguindo a trasladação dos restos mortais de Luiz e Ermelinda Queiroz para o “campus” da ESALQ O mausoléu foi projetado pelo artista piracicabano Archimedes Dutra, tendo a seguinte isncrição: “A Luiz Vicente de Souza Queiroz… O teu monumento é a tua escola.”

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