Mario Dedini, de Lendinara a Piracicaba

*Artigo e fotos/imagens  retirados do livro “Piracicaba, a doçura da terra”, de Cecílio Elias Netto.

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Mario Dedini nasceu na cidade de Lendinara, província de Rovigo, norte da Itália, aos 23 de setembro de 1893. Filho de camponeses, Leopoldo Dedini e Amália Dedini, vivia em um sítio, o qual rendia o suficiente para manter a família. Gostava de consertar arados e ferramentas, e vivia lidando com máquinas – limpando ou polindoas, mas os trabalhos da lavoura, executava-os por dever.

Aos 12 anos, contrariando a vontade dos pais, começou a trabalhar numa usina de açúcar na pequena Lendinara. Com o decorrer do tempo montou uma oficina, onde passou a fabricar ferramentas agrícolas para os sitiantes e moradores da cidade. Aos 19 anos, cursou a Escola Técnica de Desenho de Lendinara com o objetivo de aumentar seus conhecimentos de mecânica.

Mario Dedini sonhava montar uma Usina de Açúcar no Brasil e sua vontade aumentou quando soube que, no estado de São Paulo, faltavam mecânicos e técnicos especializados. Em 1914, o sonho se tornou realidade e o navio Princesa Helena partiu de Gênova – Itália, trazendo a bordo Mario Dedini. Estabeleceu-se na Usina Santa Bárbara, em Santa Bárbara D´Oeste, e lá trabalhava de 9 a 12 horas por dia, ocupando o cargo de mecânico.

Em 1920, já ambientado no país de línguas e costumes diferentes, com alguma economia e ajuda de amigos, ele e seu  irmão Armando Césare compraram, na cidade de Piracicaba, no Bairro de Vila Rezende, uma pequena oficina de carpintaria e ferramentaria, dedicada à fabricação e consertos de veículos e implementos agrícolas (carroças, troles, arados, grades etc). Logo mais, com a instalação de um forno tipo “Cubilot” para fundição de ferro, habilitou-se a atender as necessidades mais urgentes dos engenheiros de aguardente e açúcar batido. A obra iniciada por Mario Dedini frutificou. Passou a atuar nos setores de açúcar, álcool, siderurgia, papel, celulose, química, petroquímica, energia, cimento, mineração, alimentos, cervejarias e saneamento.

No dia 23 de maio de 1918, o Cartório de Registro Civil da Vila Rezende registra seu primeiro casamento com Marianna, que era piracicabana, mas seus pais eram de origem italiana. O casal foi morar em uma casinha ao lado da casa-sede, dentro da Usina Santa Bárbara. Lá nasceu a primeira filha, Nida.

Em 1923, mudaram-se para Vila Rezende, na Av. Dr. Morato, perto da Oficina, onde nasceram mais dois filhos: Ada e Armando. Aí também morreu, prematuramente, D. Marianna, em 1928, deixando Armando ainda bebê. Mário Dedini mandou buscar sua mãe, D. Amália, da Itália, para que ela ajudasse a cuidar e criar os filhos ainda pequenos.

Chegou, então, a Nonneta, que só falava italiano e, durante sua estadia no Brasil, fez questão de não aprender o português. Nessa época, Mário Dedini já tinha entre seus melhores amigos Pedro Ometto, também de origem humilde, que havia começado no ramo de usinas de açúcar. As famílias se reuniam com frequência e Mario e Pedro falavam-se quase que diariamente. As filhas casaram-se na casa na Rua Santo Antônio, que existe até hoje, em cerimônia realizada pelos saudoso Padre Gallo, que na época era pároco de Vila Rezende. Nida e Ada casaram-se no mesmo ano, em 1943.

Nida casou-se com Arnaldo Ricciardi e, desse casamento, veio o primeiro neto, Marcos, e, em seguida, Maria Beatriz e Adriana.

Ada casa-se com Dovilio Ometto, filho de Pedro Ometto e Narcisa Chessini Ometto, compadres de Mario Dedini, tendo os filhos Cláudia, Mário e Juliana. Armando casou-se nos Estados Unidos com Norma Jean Dresselt. Dessa união nasce Mario Dresselt Dedini, mais conhecido como Malo, falecido em 2016.

À tradição dos patriarcas italianos, Mario Dedini, que se casara, pela segunda vez, com Ottília Furlan, fazia questão do almoço, aos domingos, em família.

As oficinas de Mario Dedini progrediram e seu nome, com o crescimento da indústria, ultrapassou as fronteiras nacionais. O trabalho era a grande motivação de Mario Dedini, dizendo sempre que a aposentadoria, quando a pessoa possuía saúde, era o começo da morte, e que, para ele, o caminho seria sempre o de estar trabalhando, situação que pretendia se achar quando a morte o alcançasse.

Enquanto esteve na Noiva da Colina, participou de várias obras assistenciais, sentindo-se recompensado em ajudar a comunidade da qual se julgava devedor. Nos últimos anos de sua vida, na época casado em terceiras núpcias com Inês Seghesi, recebeu várias homenagens e condecorações oficiais, por serviços prestados à comunidade piracicabana.

Após sua morte, também foi alvo de muitos gestos de gratidão pelos serviços prestados à coletividade piracicabana, ao nosso estado e país. Estátuas e efígies do pioneiro são encontradas em praça pública e em inúmeras entidades piracicabanas, assinalando o respeito, o reconhecimento e a homenagem da gente da terra.

Mario Dedini faleceu no dia 28 de fevereiro de 1970, em Piracicaba, deixando de luto toda a cidade, que perdia um homem que dedicou mais de 50 anos de trabalho em terra piracicabana. Terra essa que ainda hoje, reverencia a vida e a memória de Mário Dedini.

Fonte: Esta biografia foi compilada do livro “Centenário do Nascimento de Mario Dedini” de propriedade da família Dedini.

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