Mário Dedini, nas lembranças dos que o conheceram

Falar do Grande Oficial Mario Dedini, para mim, é uma satisfação imensa, pois ele foi um exemplo de empreendedorismo, foi um ícone da indústria nacional, e foi um comandante da Dedini, olhando com carinho e dedicação para os seus funcionários, clientes, fornecedores e a comunidade.

Conheci o sr. Mario, ainda menino, pois fui admitido na Dedini, em junho de 1949, como ajudante de telefonista.

A Dedini era comandada pelo sr. Mario Dedini, tendo como diretores o dr. Dovilio Ometto, sr. Leopoldo Dedini e sr. Lazaro Pinto Sampaio.

Para se ter um idéia, na época, a Dedini possuía uma central telefônica (PBX), com dois troncos externos e 13 troncos internos. Naquela época, uma ligação para o escritório em São Paulo, por exemplo, demorava praticamente o dia inteiro – ou seja, a ligação era registrada logo de manhã, para ser completada no final da tarde. Assim, quando ficava pronta uma ligação, o meu trabalho era procurar os diretores, que geralmente estavam na fábrica, para atender o telefone, pois se perdesse aquela ligação, somente no dia seguinte poderia falar novamente com São Paulo.

O meu contato com o sr. Mario, nesta época, era nessas ocasiões dos telefonemas e quando ele chegava no escritório e cumprimentava a todos. Após algum tempo, fui transferido para o escritório, onde passei por todas as secções, tais como, recursos humanos, faturamento, contabilidade, orçamentos. O chefe do escritório era o sr. Lourenço Ducatti (popularmente Tito Ducatti, que foi craque de futebol do Atlético).

Nesta minha caminhada, observei que para se obter sucesso é muito importante adquirir-se bons hábitos, espelhando-se em pessoas determinadas e disciplinadas. E a Dedini era rica em pessoas com estas características.

Passei a ter mais contato com o sr. Mário, quando fui transferido para trabalhar com o sr. Lazaro Pinto Sampaio, que era o diretor administrativo e financeiro. Nesta época eu já estava formado como Técnico em Contabilidade.

A partir daí aprendi com exemplos e atitudes do sr. Mario, a importância de valores como empreendedorismo, responsabilidade, comprometimento, ética, transparência e fidelidade.

E estes valores foram demonstrados pelo sr. Mario, por ocasião da crise ocorrida na década de 1960, quando, em conseqüência do governo de Juscelino, foram herdadas as dificuldades econômicas, com aceleração inflacionária, indisciplina fiscal e deterioração da balança de pagamentos, pelo governo eleito de Jânio Quadros, que assumiu em 31 de janeiro de 1961, mas renunciou em 25 de agosto do mesmo ano, o que provocou a mudança para o regime parlamentarista, com a posse do Presidente João Goulart. De setembro de 1961 a janeiro de 1963, a república viveu o mais longo período de indefinição política, com conseqüências paralisantes no terreno econômico.

Na Dedini a crise atingiu todas as atividades em que operava, ou seja, no setor siderúrgico, no setor de bens de capital e no setor açucareiro. Para sentir a extensão da crise, no principal setor de bens de capital, não havia encomendas. Mas, o sr. Mario não deixou de cumprir os seus compromissos com os clientes, fornecedores e funcionários, sacrificando o seu patrimônio, com vendas de propriedades e empresas.

Citaremos alguns exemplos para demonstrar o carinho e dedicação do sr. Mário:

– com funcionários – A sala do sr. Mario estava sempre aberta para receber visita.

A cada cinco anos realizava-se a “Festa dos Pioneiros”, na qual eram premiados: com relógio de ouro e diploma, os empregados que atingiam 25 anos de trabalho; com medalha de ouro, os empregados que atingiam 30 anos de trabalho; e um cheque para quem atingiam 35 anos de trabalho.

– com clientes e fornecedores – O sr. Mario considerava parceiros da empresa. Sempre procurava ajudar seus clientes, assessorando nas aquisições de equipamentos, financiando a longo prazo suas compras e até participava como sócio da empresa. Com isso, o sr. Mario é o responsável pelo crescimento do setor sucroalcooleiro Procurava ajudar, também, empregados que desejasse montar seu próprio negocio, para ser fornecedor da empresa.

Vou narrar um caso, que demonstra o carinho que tinha para com seus clientes:

Um dia sr. Mario chamou-me e disse: “Tarcisio feche todas as contas da empresa e dos sócios, no Banco X”. Preocupado, perguntei a razão. O sr. Mario disse:

“O Banco mandou para cartório de protesto uma duplicata do meu amigo Y”. Para resumir a história, o Presidente do Banco, para evitar o fechamento das contas, ligou para o sr. Mario desculpando-se do ocorrido.

– com a comunidade – O sr. Mario nunca deixou de contribuir com as questões sociais de Piracicaba, é o vínculo de tais decisões ao desenvolvimento da própria cidade. Graças a ele foi construída a Igreja Imaculada Conceição, o Oratório São Mario, a Maternidade Amália Dedini, o Centro de Saúde Regional, entre tantos outros empreendimentos.

Infelizmente, uma fatalidade aconteceu no inicio da década de 1970, o fundador Mario Dedini faleceu em 28.02.1970, em Piracicaba, deixando de luto toda a cidade, que perdia um homem que dedicou mais de 50 anos de trabalho em terras piracicabanas, terra essa que até os dias atuais e para sempre, lembrarão do saudoso MARIO DEDINI.

1 comentário

  1. Fabio Ferreira em 22/07/2014 às 11:09

    Bonito relato parabéns.

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