“Cascata de Piracicaba”, a primeira obra da história das Belas Artes piracicabanas

*Artigo e fotos/imagens  retirados do livro “: Piracicaba, a Florença Brasileira – Belas Artes Piracicabanas”, de Cecílio Elias Netto.

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CASCATA DE PIRACICABA, 1845 – MIGUEL DUTRA

A primeira pintura que se tem conhecimento em Piracicaba foi feita por Miguelzinho Dutra, em 1845, sob o título de “Cascata de Piracicaba”. A obra foi publicada pelo Semanário Ilustrado, Archivo Pitoresco, de Lisboa, Portugal, em 12 de dezembro de 1864, para ilustrar um artigo sobre a pequena cidade de Constituição (atual Piracicaba), escrito por Francisco Quirino dos Santos, jornalista de Campinas, abolicionista e propagandista da República e sócio correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa (publicação original faz parte do acervo da Hemeroteca Municipal de Lisboa, Volume VII, de 1864, páginas 393 e 394).

No texto, Quirino dos Santos cita Miguel Dutra e descreve o quadro como um dos mais encantador e aprazível que se possa imaginar na terra: “à margem esquerda, as águas, como que descendo os degraus de uma escada, vão morrendo brandamente pela quebrada dos rochedos e altas pedras que erguem deseguaes as pontas escarpadas pelo álveo do rio n´esse lugar; à direita sobem ellas à altura de um grosso paredão, por cujas fendas marulham, sem cessar, seus jorros em espumantes e férvidos cachões”, acrescentando que “este bello panorama, gozado em toda a sua plenitude, acende n’alma tanto a poesia da meditação com todo o seu cortejo de visões lêdas, de melancólicos sonhos, e d’esses nadas que a imaginação cria, encarna e anima nas horas em que o espírito fluctua pela contemplação das obras do Supremo Artifice, que não seria condenável o preferir extasiarse à beira das cachoeiras de Piracicaba ao pasmar-se diante das catadupas do Niagara ou de Paulo Affonso” (Nota do Editor: Quirino enxerga no Salto de Piracicaba as mesmas belezas vistas nas Cataratas do Niágara, um agrupamento de grande catadupas localizadas no rio Niágara, no leste da América do Norte, fronteira entre o estado norte-americano de Nova Iorque e da província canadense de Ontário; e na Cachoeira de Paulo Afonso, que nos séculos XVI e XVII, de acordo com os arquivos de Portugal e do Brasil, era conhecida como “Sumidoro” ou “Forquilha”, passando a ter a atual denominação após a concessão de uma sesmaria a Paulo Viveiros Afonso, através do Alvará de 3 de outubro de 1725).

 

 

 

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