Sinos do Bom Jesus

Todos os piracicabanos que moravam no bairro Alto, a partir da década de 30, acordavam às 6 horas da manhã. Mesmo que depois voltassem para a cama. Quem os acordava era o sacristão Antonio Correia, que se levantava todos os dias às 5 horas e ia até a Igreja Bom Jesus tocar a Ave-Maria.

A canção deixava os devotos emocionados. Alguns chegavam a chorar; outros rezavam e faziam o sinal da cruz. Dependendo da posição do vento, até os moradores do bairro Piracicamirim escutavam os sinos da Igreja Bom Jesus baterem.E o sacristão repetia a musica ao meio-dia e às 6 horas da tarde. “Quem passasse perto da igreja, parava. Todos ouviam os sinos”, recordou Amélio Pizzinato à reportagem d’A PROVÍNCIA.

“Seu” Amélio acompanhou a construção da Igreja Bom Jesus. Ele nasceu em Piracicaba, morou na região com a família e voltou aos 13anos, em 1925. Nessa época havia só o alicerce da igreja.

Os sinos – 2 grandes e 3 pequenos – foram fabricados em São Paulo e doados à igreja pela família Cardoso. O material era bronze puro e para tocar a Ave-Maria foram colocadas sete cordas de aço – duas cordas foram instaladas nos dois sinos maiores, o que dava uma pequena falha nas notas do refrão da Ave-Maria. “Deveriam ter colocado sete sinos para acompanhar as notas musicais, mas só colocaram cinco sinos e a gente percebia a falha.”

“Seu” Amélio Pizzinato tinha um bar na rua em frente à igreja e durante 40 anos acompanhou o toque da Ave-Maria. “Na falta do seu Antonio, quem tocava os sinos era uma moça da família Zotelli”, falou, mas sem recordar o nome da moça nem como o sacristão aprendeu a tocar a Ave-Maria com os sinos da igreja. Ele contou ainda que possuía um livro que contava toda a história do Bom Jesus, mas que havia emprestado e não sabia para quem. Nesse livro estaria a história do trabalho do padre Francisco Borges do Amaral e como o padre Martinho Salgot viveu na paróquia.

Inspiração

O badalar soava, o ritmo quase perfeito dos sinos e a devoção à Ave-Maria foram as principais razões que levaram Anuar Kraide e João Chaddad a compor a música “Sinos do Bom Jesus”. O disco foi gravado em 1962 por Pedro Alexandrino, em 78 rotações. “Foi uma forma de louvar a Ave-Maria”, explicou Anuar.

Segundo ele, “todos os moradores do bairro, quando iam ao centro, na volta olhavam para a igreja e viam o Cristo de braços abertos e dali a pouco escutavam a Ave-Maria.” Recordações que deixam qualquer devoto contente e, ao mesmo tempo, triste. “Todos nós sentimos falta da Ave-Maria”, falou.

Em todo o caso, o encontro de Anuar Kraide e João Chaddad para a composição da música “Sinos do Bom Jesus” foi o início de uma longa amizade e tornaram-se parceiros de várias composições. Outra música que elaboraram foi o hino do E.C. XV de Novembro.

SINOS DO “BOM JESUS”

Anuar Kraide – Jorge Chaddad

De longe se vê

Que felicidade

Jesus, com os braços abertos,

Abençoando a cidade

E toda manhã

Ao romper o• dia

Ouvem-se as badaladas

Da Ave-Maria

Sinos do “Bom Jesus”

Que despertam a cidade

Trazendo paz e amor

Alegria e felicidade

Sinos do “Bom Jesus”

Os teus sons ficam ao léu

Sinos do “Bom Jesus”

Que nos conduzem ao céu

(Gravado por Pedro Alexandrino, em 1958)

 

1 comentário

  1. Antonio Colavite Filho em 11/09/2016 às 21:46

    Por ter nascido em Piracicaba em 1944 mas mudado da Noiva da Colina desde 1964, gostaria de ouvir a música “Sinos do Bom Jesus” no meu computador. Quem puder, ajude-me.

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