Educação, uma missão de vida (2)

O texto, a seguir, dá continuidade ao conteúdo produzido pela pedagoga Silvana Guidotti – que, desde 2015, alimenta seu projeto “Contos da Tia Sil”, ampliando sua comunicação com crianças, pais e professores, também pelos meios digitais. Ela compartilha um pouco de sua experiência de mais de 30 anos com educação de crianças.

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Imagem ilustrativa

“Eu sempre vi a criança como um ser humano capaz de tudo, com os caminhos abertos a todas as possibilidades. Ali, na sala de aula, certamente havia futuros médicos, dentistas, arquitetos, artistas, biólogos, engenheiros… quem poderia saber? Eles estavam lá, ainda pequenos, mas prontos para aprender. E éramos nós quem iríamos semear, na alma deles, os valores necessários para que pudessem desenvolver-se ao máximo, enquanto seres humanos.

Nunca acreditei no impossível, talvez por acreditar em Deus. A fé me trouxe a coragem para trabalhar com crianças. Escolhi a faixa de até 6 anos, não porque não goste das outras, mas por saber, dentro de minha alma, que, durante esse tempo, eu poderia fazer a grande diferença em suas vidas e de suas famílias.

Ah, sim, claro, as famílias precisam caminhar junto conosco e assim o nosso sucesso é muito maior e melhor – porque o compartilhamos com as pessoas que vão acompanhar esse êxito até a linha de chegada dessa enorme corrida ao conhecimento, que é a conclusão desse lindo trabalho de amor.

Eu não disse isso? Peço perdão, mas vejo como parte fundamental da formação de um professor o amor. Amor a si, ao próximo, à vida, enfim, é preciso muito amor para ser um bom educador.

Pensando que iria ensiná-las, acabei aprendendo muito mais a cada dia de convivência e troca de experiências com esses anjos.

Foram 32 anos trabalhando com educação infantil e assisti inúmeras vezes a mães inseguras, deixando seus bebezinhos no berçário, saírem chorando desoladas nos primeiros dias de aula. E, depois de alguns anos, aquela mesma criança já estava lendo e escrevendo. Já tinha os valores morais bem definidos e a autoconfiança necessária para continuar construindo um mundo melhor. Só que, agora, num espaço mais amplo, onde iria interagir com outras crianças, fora dos muros da nossa escola.

E, agora, as mães choravam porque não iriam mais deixar seus filhos em nossas mãos, onde sabiam que estavam seguros e protegidos por nosso amor. Ou seja, o nosso anjinho estava pronto para voar e mostrar ao mundo o resultado de um trabalho sério e feito com bastante amor.

Educação especial

Quando decidi que era hora de parar de trabalhar com a educação infantil, fui convidada a assumir a direção de uma escola de educação especial.

Pensei muito durante um tempo antes de aceitar essa nova missão e confesso que fiquei apavorada, afinal, não sabia ao certo como eu poderia ajudar as “crianças” dessa escola – cujas idades iam de 4 a 54 anos, mas que, como por encanto, continuavam sendo crianças, pois mantinham dentro de si a inocência e a alegria da infância.

Quando conheci os alunos daquela escola, percebi que poderia trabalhar com eles de maneira semelhante àquela que eu havia trabalhado minha vida toda, tudo o que precisaria era de alguns ajustes.

Existe uma frase conhecida de Jean Cocteau que diz: “Por não saber que era impossível, ele foi lá e fez”. E assim aconteceu comigo, nessa nova missão de amor, porque muitas crianças que eram consideradas “copistas”, a partir do trabalho que desenvolvi junto com os professores, foram alfabetizadas – para nossa surpresa e alegria. (Odeio essa palavra, “copista”, por não entendê-la. Foi-me explicado, na época, que são alunos que não sabem ler, apenas escrevem. Então, para preencher o tempo, ficavam copiando textos e mais textos que os professores colocavam na lousa.)

Enfim, eu não acredito no impossível e, talvez por isso, esteja aqui e agora escrevendo este texto que talvez ninguém leia. Entretanto, se você leu, é possível que possamos construir um mundo melhor, investindo na educação de nossas crianças, dando a elas informações que acrescentem não apenas conhecimento, mas bases sólidas para a formação do caráter de pessoas de bem.

Educação: a chave

Acredito que a educação seja a chave para abrir todas as portas que se encontram fechadas, hoje, em nosso país. Afinal, são inúmeros os problemas – violência, corrupção, analfabetismo, drogas, vagabundagem. Contudo, vejo que a solução para a maioria deles está na educação do povo.

Enquanto educadora, sempre procurei contar estórias às crianças, que acrescentassem a elas um tijolinho a mais na formação de seu caráter – aproveitando, assim, todas as oportunidades para reforçar os melhores conteúdos, não apenas para o currículo escolar, mas para suas vidas.

Enfim, eu não acredito no impossível e espero que você se junte a mim nessa nova e grandiosa missão: construir um mundo melhor levando amor e luz à humanidade.

Amor, porque ele é a minha motivação, e luz, porque ela é divina. Por acreditar em Deus, peço à luz divina que oriente meus passos nesta linda missão de amor.

E você, vai se juntar a mim? Eu espero, do fundo do meu coração, que sim!”

Mulheres Semeadoras de Cultura

O Projeto “Mulheres Semeadoras de Cultura”, do ICEN – Instituto Cecílio Elias Netto, foi composto por um ciclo de palestras e debates, e a publicação de um livro. Com a coordenação da B2 Comunicação, o Projeto contou com o apoio cultural da Caterpillar – por meio da Lei Rouanet, Lei Federal de Incentivo à Cultura. Para conhecer o Projeto, na íntegra, acesse o link: https://bit.ly/2ml0xyf

Venha, você também, semear cultura

Agora, A Província quer ouvir e publicar sua história; conhecer sua experiência; saber quem são mulheres semeadoras de cultura para você – muitas delas anônimas e desconhecidas. Queremos aprender mais sobre o que é semear cultura e investigar a qualidade da semeadura de todos nós. Por isso, convidamos você a, também, fazer parte deste Projeto!

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