Nhô Jorge Bicheiro: aquele que era lobisomem

A PROVÍNCIA, no ano de 1989, reviveu a figura de Nhô Jorge Bicheiro, caboclão forte, cabelos grisalhos, rosto marcado por espinhas, andava balançando a cabeça. Segundo Eugênio Saccone, que o conheceu nos seus tempos de menino, – “tinha jeito de cachorro louco”.

– Onde vai?

– Vou fazer um joguinho no Nhô Jorge-Lobisomem …

Nhô Jorge era por demais conhecido em Piracicaba lá pelos anos vinte sete. Dedicava-se a uma única profissão – era bicheiro e nas horas vagas tocava clarineta.

Bicheiro não era bem o termo, porque além de receber, ele bancava o jogo. Quando sua banca estava carregada, passava uma parte do jogo para o outro banqueiro da cidade. Era uma casinha branca com cinco ou seis degraus que levavam a uma varanda. Alí ele recebia e pagava os ganhadores do jogo do bicho. Uma mesa, uma cadeira e um banco comprido de madeira, onde os apostadores aguardavam a vez, se constituía no seu chalé: O dinheiro das apostas guardava em uma pequena canastra colocada ao lado da cadeira.

Às 14 horas, Nhô Jorge fechava o jogo, ia ao quarto, lá então, a clarineta sofria o castigo aplicado em sucessivos sopros, ininterruptos, até às três e meia da tarde, deixando a vizinhança desesperada mais que Maria Beú na procissão dos Passos da Sexta-Feira da Paixão. Depois, metia o chapéu-coco na cabeça, bengala ao braço e mão às costas, descia em direção ao centro da cidade, cantarolando e balançando a cabeça para os lados. Ia buscar o resultado do jogo que vinha de São Paulo por telefone, às 16 horas, na casa do outro banqueiro.

– Lá vai Nhô Jorge-Bicheiro …

– Dizem que ele vira lobisomem!

– E vira mesmo! Amanhã é sexta- feira, cuidado com as suas galinhas! Quando chega dia de sábado Nhô Jorge está todo arranhado. É porque ele esteve nos galinheiros …

– Será verdade?

– Ora se é! Toda gente aqui no bairro sabe disso. É só pôr reparo nele em dia de sábado, fica amarelo e com a cara arranhada que só vendo!

Na noite de quinta pra sexta-feira, quando a lua cheia brilha no céu, ele vai em busca de uma encruzilhada onde haja estrume ainda fresco. À meia noite tira toda a roupa, fica pelado, atira-se no chão e rola, espoja-se na merda. Não demora muito, o homem vira lobisomem transforma-se num bicho grande, do tamanho de um bezerro, um enorme lobo de orelhas pendentes, seus pelos são amarelados e os olhos vermelhos como fogo. Depois da transformação sente sede de sangue e fome de carne.

Assim, rosnando entra nos galinheiros estraçalha nos dentes as pobrezinhas, e de sobremesa come bosta … Antes de nascer o dia, Nhô Jorge que é lobisomem, vai até o portão do cemitério e lá consegue recuperar a forma humana …

Então, Nhô Jorge é mesmo um lobisomem?

– É, e vai ser até que alguém tenha a coragem de quebrar o encanto!

-Mas como?

-Ferindo-o com um espinho de laranjeira que tenha sido plantada numa sexta-feira …

1 comentário

  1. gessia heer em 10/03/2013 às 16:59

    Ja vi um tetemunho de um homem ke vazia a mesma coisa,so nao se transformava,e outros testemunhos quase igual,vontade de beber o sangue,estracalhando o animal na boca.isso e possessao demoniaca.,e nao lenda.,vampirismo.qdo as pessoas vao parar de arrumar desculpas pra ignorar,ou agreditar n o diabo.

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