O mordomo de Lula

pictureSou do tempo de encafifar, de pessoas encafifadas, de ficar-se encafifado, não sei se ainda se fala disso. Quando alguém encafifava, podia ser que estivesse encabulado ou, então, com preocupações, desconfianças. Seria, hoje, o “ficar grilado”: quem encafifava também grilava. Continuo encafifado com as viagens do Presidente Lula. Na verdade, não são bem as viagens, pois já compreendi que governantes de países ditos de terceiro mundo, emergentes tornaram-se uma espécie de caixeiros viajantes de luxo. Viajam para vender, comprar, trocar. E estão certos: já que tudo virou mercado, há que se lembrar ser, mercado, lugar onde se mercadeja, compra-se e vende, negocia-se, barganha-se, pechincha-se. O mundo virou aquelas antigamente chamadas “lojinhas de turcos”, na verdade lojinhas de sírios, libaneses e judeus, ora veja.

Minha encafifação é com o mordomo do sr.Presidente. Pois, pelo que sei, todo presidente tem um mordomo, no deleite das mordomias presidenciais. Logo, o Presidente Lula também deve ter o seu. Fico inseguro quanto a isso por causa de Dona Marisa, a Primeira Dama, que ela não parece ser mulher que abra mão de seus direitos. E ajudar a escolher a roupa do marido, até mesmo separá-la, deixando-a arrumadinha – isso é direito fundamental de mulher, dona do quarto, dona do lar, dona da família, dona do mundo. Estou falando em direito, não em dever. Dona Marisa parece ser mulher que exerce todos os seus direitos sobre o marido.

Ora, imagino que, com tantas e tantas viagens, dona Marisa não tenha tempo, paciência ou até mesmo forças para cuidar das roupas do marido Lula, escolher o que ele irá vestir, o que precisará vestir e, também, o como vestir e vestir-se. É uma arte complicada, especialmente no mundo oficial, o das aparências. Ora se usa boné, ora se anda de skate. Por isso, é preciso saber o que vai vestir, como vestir-se e como vestir, tudo ao mesmo tempo. Tem quem saiba como e o que vestir, sem saber como vestir-se. Não é brincadeira.

Não se pense que minha preocupação com o mordomo tenha alguma coisa de “voyeurismo”, de sensacionalismo jornalístico. O fato de o mordomo do Príncipe Charles ter escrito indiscrições sobre a intimidade dele não pode significar que eu queira saber coisas de alcova do Lula. Nada disso. Mesmo porque já não tenho idade para isso e, também, porque o “valet de chambre” de Lula deve ser gente do PT. Ora, como dizem os franceses, “tel maître, tel valet”. Logo, sendo gente do PT, o valete, tal qual o mestre, tem que ser pessoa de confiança.

Se não é curiosidade mórbida, o que, então, eu gostaria de saber? Duas coisinhas apenas: como ou quem amarra os sapatos do Lula; como ou quem lhe coloca as meias? Pois o Lula parece cada vez mais gordo, arfante, suando muito. Fosse antigamente, eu diria que ele tem suado em bicas, mas não sei, mais, se alguém sua em bicas. Arfando e suando, imagino seja, para o Lula, um sacrifício imenso colocar meias, amarrar cordão de sapatos. Vejo-o, então – gemendo e suando, insisto – terminando a tarefa e fazendo: “uh!” É tão somente isso que eu gostaria de saber: Lula faz “uh!”?

E cantar ao chuveiro, Lula canta? Se canta, qual a música? Encafifei que Lula cante “Índia”, quem se lembra? É aquela música plangente que tocava em parque de diversão, em circo, em churrascada: “Índia, sangue tupi; tens o cheiro da flor…” Só o mordomo sabe. E bom dia. (Ilustração: Araken Martins.)

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