A OUTRA MEMÓRIA

Os textos de diferentes autores publicados nesta seção não traduzem, necessariamente, a opinião do site. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

 De que o cérebro seja a sede de nossas sensações, percepções, desejos e lembranças ninguém duvida, mas poucos sabem que outras regiões de nossos corpos, tais como musculatura, tendões, partes moles no geral e até órgãos guardam memórias de acontecimentos: bons também, mas frequentemente traumáticos. Assim, o registro de muitos fatos não está realmente sediado tão somente no cérebro, o qual integra e interpreta a situação ou as situações, mas nem sempre da forma mais confortável ou conveniente.

   As lembranças acumuladas em alguns pontos de nossos corpos físicos, e dependendo da intensidade dessas, podem causar também, embora não exclusivamente, dores, distúrbios e moléstias. Órgãos podem falhar…

    Daí técnicas de terapias corporais serem desejáveis e adequadas, com frequência. E elas são várias; incluem massagens especiais como o Rolfing, e diversas formas de toques energéticos, ou mesmo de exercícios corporais específicos.

Nós mesmos já vimos, em sessões de terapias do corpo baseadas em movimentos aparentemente sem razão de ser, muitas recordações traumáticas serem despertadas, virem ao consciente das pessoas. Supomos que isso (a decodificação do registro oculto) seja terapêutico e curativo… É provável.

    Certa moça conhecida nossa, numa sessão de terapia grupal, ao fazermos um exercício onde fingíamos, chatamente aliás, ser bebes, e empreendíamos movimentos especiais com os pés, recordou-se de uma grave discussão que sua mãe tivera com uma vizinha e ela, muito criança ainda, ficara confusa, com medo e agitada, sem capacidade de entender quase nada do que ocorria.

     Quando procedíamos a sessões de acupuntura, também tivemos um caso interessante. Uma paciente se queixava de vago mal estar cervical, na base do couro cabeludo. Não o sabia definir exatamente; negava ser dor, mas referia desconforto naquela região. Aplicamos as agulhas gerais e locais, de modo rotineiro. E eis que veio a pequena explosão de consciência! A moça, há anos, sofrera um assalto violento. Ela tinha longa cabeleira e o assaltante a puxava pelos cabelos, sendo que ali ficara guardada a recordação da situação terrível.

    Esta paciente, acima descrita, fizera já psicoterapia e usara medicamentos homeopáticos, visando resolver aquele trauma; porém a região específica de seu corpo, que estava ressentida, recordava-se de tudo, magoada, e nenhuma das técnicas anteriores havia conseguido, ainda e até então, aliviá-la.

   Muito mais do que uma curiosidade, relatamos aqui um fato, o qual pessoas, médicos, psicoterapeutas e psicólogos não podem nem devem ignorar, para o bem dos tecidos sofredores dos sofridos pacientes e de nossos corpos mesmos.

Deixe um comentário