Viajando de trole

Eram os troles o grande meio de locomoção em 1900. Nhô Belisário era cocheiro famoso. Responsável por um “serviço rodoviário”, os “troles de linha”, era ele quem fazia viagens entre Piracicaba, Limeira, Rio Claro. (O outro pertencia à empresa Scatena, até Santa Bárbara e, de lá, para São Paulo.) O “ponto” era no Hotel do Janjão, o Hotel Central, no Largo da Matriz. Para ir a Rio Claro, o trole saía às 6 horas da manhã e as cidades pareciam distar tanto uma da outra que se fazia “baldeação” em Tanquinho para almoçar e trocar de carruagem.

Os troles, construídos pela família Krähenbühl, eram belíssimos, conduzidos por parelhas de burros, arreios sempre renovados. Os homens usavam capas para se proteger da poeira, e as mulheres – com suas malas revestidas “de couro cru e pregadas com tachas de cabeças douradas” – usavam chapéus adequados para viagens: panamás de luxo, de palhinhas, que eram presos por véus de seda transparente, ou coloridos para as moças solteiras. Ao lado dos troles, os moços viajavam a cavalo marchadores e, se fosse curta a distância, as moças e as jovens casadas podiam viajar em cavalos mais mansos. Faziam-se elas, então, graciosas: “um arreio próprio, com um estribo só, de prata, pelo qual montavam nos cavalos, as saias longas cobrindo totalmente as pernas, deixando ver, às vezes, a ponta do estribo, moldando um pezinho que procurava firmar-se.”

 

 

 

 

 

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