Histórico da Devoção ao Coração de Maria em Piracicaba (III)

Pe. João de Echevarria Torre – Neste mesmo ano (1953), acolhe em seu clero o Pe. João de Echevarria Torre, missionário espanhol, que chegou ao Brasil em 1919, e desde então propagou a devoção ao Coração de Maria em várias cidades de São Paulo, pois pertencia à Congregação Claretiana, também chamada “Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria”.

Por coincidência ou providência divina, D. Ernesto destina o Pe. João de Echevarria à recém-criada Paróquia do Imaculado Coração de Maria, com a incumbência de transformar a capelinha num Santuário à altura da devoção mariana.  No mesmo ano de sua posse, 1956, constrói a casa paroquial e no ano seguinte inicia a construção da nova matriz. Serão 20 anos de presença a atuação marcante do Pe. João na Paulicéia, que transformará o bairro e a vida dos paroquianos.

Pe. João sente-se em casa, pois encontra na Paulicéia o terreno fértil para seu trabalho pastoral e lá permanece até sua morte, em 1975. Além do papel de pároco, foi também um líder comunitário que buscou melhorias para aquela periferia distante e esquecida das autoridades.

Orientava as crianças e as mães sobre questões de higiene e saúde e utiliza os seus dons de radiestesista para amenizar os males do corpo. Ecumênico , quando ainda nem se falava neste termo, atendia a todos, mesmo os de outras religiões e seitas.

Para defender a moral dos seus paroquianos contra a presença da zona de meretrício no bairro da Paulicéia, foi ao governador do Estado (na época Jânio Quadros), e depois Carvalho Pinto, a fim de protestar e exigir providências.

Ainda em vida e mesmo agora, após quase 40 anos de sua morte, é lembrado com fama de santidade e amor ao próximo.   Era movido pelo amor ao Imaculado Coração de Maria e transparecia este ardor mariano á todo que dele se aproximavam.   Era chamado de “Pe. João da Paulicéia”, e “Pe. João do Coração de Maria”.  Títulos carinhosos que o enchiam de alegria.

1957 – A “Capelinha” do Imaculado Coração de Maria, da Paulicéia, construída pela família do Sr. João Nardin e Carmelina Franco Nardin, na década de 1930. Em torno dela vê-se a construção da nova matriz, idealizada por Eugenio Nardin, o “Neno”, filho do casal pioneiro. Em 1975, outro filho deste casal, Mons. Jose Nardin, será o pároco desta matriz.

Construiu a nova Matriz, de tamanho majestoso, maior até que a própria Catedral de Santo Antonio, confiando e apelando à Maria, sempre. Construiu nos corações dos piracicabanos verdadeiros templos de amor a Nossa Senhora, na invocação do Imaculado Coração.    Quando passava por dificuldades na construção da nova Matriz, que foram inúmeras, por incompreensões, calúnias e desaforos ou por qualquer outro perigo, era ao Coração de Maria que solicitava auxílio, e desabafava, como deixou registrado em várias passagens do livro tombo da paróquia.

Aconselhava a todos que o procuravam para que pedissem tudo através de Maria e do seu Imaculado Coração, e que Jesus não negaria tais pedidos feitos através de sua Mãe.

Pe. João de Echevarria faleceu em 1975 e está sepultado no Parque da Ressurreição, na cripta da capela. E ainda hoje, mantém a fama de santidade e amor ao Imaculado Coração.   Seu epitáfio diz: “… mais do que um templo, construiu nos corações, templos de Deus, como verdadeiro e santo sacerdote”.

Os piracicabanos tiveram na figura destes missionários Frei Luiz Maria de São Tiago  e Pe. João de Echevarria Torre, e do casal, João Nardim e Carmelina Franco Nardin,  os primeiros e verdadeiros apóstolos da propagação á devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Suas obras maiores, a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, a capelinha da Paulicéia que depois deu lugar á magnifica Igreja da Paróquia Imaculado Coração de Maria, são testemunhos do amor que os impulsionava e da devoção viva e sincera ao coração da Mãe de Deus.

 

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