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Fazenda Milhã

Estudo de Neide Marcondes apresentou as fazendas de Piracicaba. Para isso, requereu conhecimento geográfico da região de Piracicaba por meio de consulta a mapas topográficos de grande escala, a plantas cadastrais, a publicações sobre a área, de pesquisas em arquivos públicos e em cartórios de registro de terras e a incansável e permanente visita pessoal à região.

O material diz respeito a três propriedades em região atualmente urbana, duas no eixo Piracicaba-Rio Claro, seis no eixo Piracicaba-Tietê, quatro no Piracicaba-Conchas e uma no eixo Piracicaba-Limeira.

Fazenda Milhã

A sede da velha fazenda Milhã, também chamada São José do Milhã, único reduto da região, está localizada no bairro rural de Formigueiro e faz parte do ciclo canavieiro que antecede a fase de cultivo do café.

Em 28 de março de 1850, o ituano Antonio Ferraz de Arruda inaugurou a nova morada, ainda existente e reformada. Na primeira metade do século XIX, Ferraz de Arruda possuía terras em Capivari e plantava na nova terra o chamado capim Milhã, onde também começou a plantar cana e a produzir açúcar, segundo Renato de Albuquerque Salles, em “A Fazenda Milhan”. Essa fazenda, desmembrada da Sesmaria do Congonhal, situa-se no distrito de Saltinho, povoado distante 13 quilômetros da cidade de Piracicaba, no eixo Piracicaba-Tietê. Congonhal foi adquirida em 1817, por Francisco Pinto Ferraz, cujos sucessores venderam-na a Antonio José Leite da Silva. Antonio Ferraz de Arruda adquiriu “dos Teixeira por um conto de réis e ali constituiu fazenda de renome no Estado”.

O patriarca Antonio Ferraz de Arruda teve seu nome ligado à cidade de Itu, onde jurou a Constituição do Império e prestou serviços ao mesmo. Tratava-se de homem de “grande preparo, emérito latinista” e efetivo administrador. Ferraz de Arruda possuía, também, propriedade no lugar hoje denominado Anhembi (antiga Barreira e depois Serra Negra). Milhã é uma das poucas propriedades que conservou o seu programa original estabelecido por Antonio Ferraz de Arruda, pai do consolidador da fazenda, o sargento-mor Fernando Ferraz de Arruda.

Em 1893, no primeiro dia de julho, é formada a sociedade, sob a administração do filho Bento Ferraz de Arruda.

A fazenda, com 540 alqueires, deixou traços de um programa de cultivo da cana. Somente a partir de 1867 seus proprietários plantam os primeiros pés de café. O programa anterior obedecia ao cultivo da cana e fabrico de açúcar, conforme “restos” encontrados no terreno. Os terreiros, mais tarde, foram localizados longe da morada, longe do engenho que continuou funcionando.

Em 1980, entrevista com Lúcio Ferraz de Arruda, descendente do patriarca Antonio Ferraz de Arruda e pesquisas nos Oficios Diversos de Piracicaba demonstram a evolução do cultivo: cana, café, cana e café ao mesmo tempo, algodão, cana e pecuária.

Na relação das lavouras de café e engenhos, visando ao pagamento de impostos, a comissão encarregada da classificação dos lavradores da região de Piracicaba inclui, em 1888, a propriedade do major Fernando Ferraz de Arruda, do bairro Formigueiro, com a produção de 400 arrobas de café. No ano de 1889, a mesma comissão relaciona a lavoura do major Fernando com uma produção de 4.600 arrobas de café.

As fotos também são de autoria de Neide Marcondes.

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2 respostas para Fazenda Milhã

  1. Irineu 26/04/2017 às 22:02 #

    Bom Lucio Ferraz de arruda não é o único descendente atualmente os três primos deles apenas um esta vivo

  2. Jose Mario Sturion 24/07/2017 às 10:50 #

    Sou de Saltinho, conheci a fazenda e o sr. Lúcio Ferraz de Arruda que foi prefeito de Saltinho. Precisamos ajudar a manter viva essas lembranças com a preservação desses lugares como a Fazenda Milhã.

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