Causos de cemitério (1)

Acontece cada coisa em cemitério! Coisas que até Deus dúvida, algumas capazes de arrepiar os cabelos, outras que emocionam e até aquelas nitidamente tragicômicas. Não é por outra causa que os cemitérios são os cenários preferidos para muitos causos. Não tem quem não tenha uma história que aconteceu naquele lugar, de preferência com uma alta dose de suspense e sem desprezar, é claro, a presença do sobrenatural.

Só que fica um pouquinho difícil acreditar em todas elas.

Mas, afinal de contas, causo é causo, ninguém precisa provar nada. E depois também, pra quê? Adianta perguntar se realmente aconteceu? Certamente as pessoas reagiriam da mesma maneira que um personagem de televisão. Ou alguém já se esqueceu daquele tipo do Chico Anísio, o Coronel Pantaleão, que contava as maiores histórias. Ele sempre perguntava pra mulher. “É mentira, Terta?”. E ela respondia, bem humilde: “Veer-da-de!”. Então, quem quiser curtir melhor os causos, é melhor nem pensar que se trata de férteis imaginações. Gente, é tudo “veer-da-de”. OK?

A Rosa do Véio

Esse quem contou foi Sueli Borges. Ela diz que, quando era menina, sempre acompanhava a mãe até o cemitério para visitarem o túmulo da avó. E para ela, isso não era uma coisa chata, não. Pelo contrário, gostava de lá, até achava o ambiente legal. Subia as escadarias do mausoléo do Prudente, rezava pro padre Galvão e outras coisas mais.

Só que um dos túmulos despertava de maneira especial sua curiosidade, como diz: “Era aquele da rua principal, que está logo perto da entrada. E o que tem a estátua daquele homem com um livro caído no chão”.
Aliás, cá entre nós, não dá pra não ficar curioso com aquilo. Nem se sabe direito o nome do homem que está enterrado ali, mas muitas histórias começaram a circular sobre ele. Uns diziam que ele teve um enfarte quando estava lendo e a estátua reproduz isso, vejam só que coisa. Outros dizem, não se sabe bem porque, que ele era muito avarento, que o coitado não nos ouça.

Pelo menos contaram pra Sueli a segunda história. Então, ela diz que tinha medo, mas ao mesmo tempo estava sempre lá observando. Até que um dia, resolveu dar uma de atrevida. “Eu subi no túmulo, brinquei lá em cima e sentei no colo do homem, quer dizer, na estátua dele, né. E ainda por cima, peguei de lá uma rosa vermelha bonita e levei pra casa”.

Sueli diz que ficou muito contente por ter feito isso. “Senti que estava desafiando, coloquei a rosa num vasinho que eu tinha no criado mudo ao lado da minha cama”. Foi dormir feliz, mas logo depois foi assaltada por algo que não soube definir se era um sonho ou uma visão. “Eu vi claramente no meu quarto, a figura de um velho de barbas brancas. O véio gritava, me xingava dizendo “Devolva a minha rosa, sua pestinha!”. Eu fiquei muito assustada com isso mas, quando acordei, achei que tinha sido um sonho”.

Pensou diferente quando finalmente olhou para o vaso. “Não tinha nada nele. Cadê a rosa? Eu perguntei pra todo mundo de casa, mas ninguém disse que tinha pegado”. Para ela, ficou um grande mistério.

Tanto que hoje, quando vai ao cemitério, nem passa mais perto daquele túmulo.

1 comentário

  1. heloisa em 26/05/2014 às 17:18

    legal

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