Chácara Nazareth

… o apuro plástico no programa e na morada da casa…

Sede da Fazenda Nazareth, hoje chácara com 90 alqueires, pertenceu a João Pacheco e Chaves; localiza-se no perímetro urbano de Piracicaba, junto ao rio da cidade, integrada no bairro Chácara Nazareth.

A Carta de Sentença Formal de Partilha, de Jane Conceição Pacheco e Chaves, casada com Jorge, constante dos autos de inventários dos falecidos João Baptista da Rocha Conceição e sua mulher Maria Nazareth (daí o nome da fazenda) da Costa Conceição, inclui entre os imóveis a propriedade “com 643 alqueires e tantos”, dividida em seis glebas de terra. O total estava avaliado em 563:909$000, com “jardim e gradil na frente, casa de cômodos para a família, garagem e cômodos para criados e cafezais a sudoeste”.

A Fazenda/Chácara Nazareth é uma propriedade da época áurea do café em Piracicaba, com construções secundárias, antigo terreirão, jardim de programa italiano e grande sede, cujo plano é da autoria do mesmo arquiteto das fazendas Ibicatu, em Limeira, e Anhumas, em Campinas, segundo afirmação de João Pacheco e Chaves, em entrevista concedida a autora Neide Marcondes, em 1980.

A casa-sede, construção de taipa-de-mão, com acréscimo de tijolão, já estava parcialmente construída quando da posse de João Baptista da Rocha Conceição, 1880. O terraço, com colunas neoclássicas de madeira, foi ampliado na parte lateral esquerda. A entrada pela parte central da morda, vestíbulo e escada de madeira, também são acréscimos daquela época.

As venezianas da Chácara Nazareth, as primeiras colocadas na região, são de duas folhas com réguas largas; compõem as portas que dão acesso do terraço aos cômodos da parte assobradada, obedecendo ao documento da Comissão de Polícia e Higiene de Piracicaba, de 1898, que declarava que as venezianas e persianas podiam abrir para fora, conforme convenção da utilidade higienística.

As superfícies externas apresentam calhas, pois consta do Código de Posturas da Câmara Municipal de Piracicaba, de 2 de maio de 1894, que os prédio construídos e os reformados terão para a canalização das águas pluviais, bicas em tubo passando por dentro das paredes e terminando junto dos passeios.

O requinte do padrão construtivo, o luxo na decoração dos espaços internos e externos e as soluções plásticas diferenciam a Fazenda, chamada Chácara Nazareth, das demais propriedades de café da região.

O espaço interno da morada formava planta primitiva em forma de U e depois, com o acréscimo na parte posterior, resultou um pátio interno. Contém duas alas de quartos, salões principais na parte fronteiriça com pinturas decorativas nas paredes e nos tetos, num desejo consciente, também demonstrado pelos móveis, louça e prataria, de igualar aos modelos dos palácios europeus. Uma piscina, destinada ao uso do antigo proprietário, fazia parte do espaço interno da morada.

O cafezal reuniu as classes sociais, os tipos humanos e étnicos; o fazendeiro transformou sua residência rural em centro de intensa vida social. Valorizou o espaço interno com requintado mobiliário e, em contato frequente com os proprietários vizinhos, recriou um esquema de vida urbana, com reuniões festas.

Mais do que os ambientes urbanos, os rurais apresentam a negação da paisagem local. Pinturas das paredes e das portas imitam o pinho de riga, na maioria das sedes das fazendas. Os salões e vestíbulos demonstram formas de valorização, antes reservadas às igrejas.

Em lista de objetos diversos da fazenda Nazareth, constam alguns de cristal, de prata e de porcelana, assim como várias “cartas de dívida” de pessoas da região com os proprietários da fazenda.

Os fazendeiros desempenhavam funções político-administrativas nas vilas e cidades próximas; também conservavam o modo de vida urbano-rural, com viagens frequentes à Europa.

A identificação com o gosto europeu expressa-se, também, pela rejeição das condições da sociedade brasileira da época. Em relação ao meio natural, constata-se a negação da paisagem local, das plantas tropicais e do cultivo do produto (cana, café) próximo da sede. No plano artístico, nota-se a necessidade de intenso contato com a Europa, como na arquitetura e decoração, com as adaptações neoclássicas e a perfeição dos copismos europeus e no planejamento do jardim italiano.

A disposição da propriedade agrícola Nazareth, principalmente suas construções, revelam uma fazenda atípica da região. O requinte do padrão construtivo, o luxo da decoração interna e as soluções plásticas externas diferenciam a fazenda das demais propriedades da região de Piracicaba. A fazenda contém o mesmo apuro na execução do programa de algumas das mais requintadas do Vale do Paraíba, cujas moradas poderiam ser comparada com os sobrados ricos do Rio de Janeiro; seus interiores apresentavam semelhança com os dos palácios franceses.

Chácara Nazareth é uma propriedade áurea do café, com construções de trabalho, casa de máquinas, antigo terreiro e jardim de programa italiano. O terraço é circundado com colunas neoclássicas em madeira, com balaustrada em alvenaria. A identificação com o gosto europeu expressa-se pela rejeição das formas arquitetônicas regionais da época.

2 comentários

  1. sandra em 29/09/2015 às 09:40

    deveria ser aberta para visitação.

  2. walter antonio lourenço de assis em 04/10/2015 às 13:47

    sou piracicabano gostaria muito de fazer uma visita

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