Strauss, o homem que a torcida não esquece (1)

Em “Os grandes ídolos do XV”, A PROVÍNCIA, em 1988, contou um pouco da vida de Alidor Renzi, mais conhecido como Strauss. Confira abaixo a reportagem de Waldinete Bobello:

Diante de um estádio lotado, a torcida inflamada, à espera de um gol, lá estão os homens que fazem do futebol o esporte mais popular entre todos os esportes no Brasil. Em se tratando dessa modalidade, Piracicaba tem um time que, no passado, trouxe tantas alegrias aos torcedores, com certeza acendeu muitos piracicabanos e fez suar muitas camisas de craques em sua época de apogeu.

Muitos jogadores passaram pelo XV de Novembro de Piracicaba, jogadores piracicabanos que defendiam com honra o time de sua terra, jogadores que não estavam preocupados com situação financeira em relação a salários. Davam tudo que tinham e iam buscar, onde poderiam encontrar a bola.

Esse era o XV de Piracicaba, de Rabeca, de Gatão, de Idiarte, de Joãozinho, Cardeal e tantos outros que levaram esse clube a fazer parte do rol dos da Primeira Divisão do futebol paulista.

UM JOGADOR CONSAGRADO

Em um time de futebol é necessário haver 11 jogadores, cada um em sua posição para defender ou atacar. Cada jogador tem o seu papel dentro do campo, cabe a ele somente se fazer notar e se tornar famoso diante de sua torcida. Quem é que não se lembra de Alidor Renzi, mais conhecido como Strauss, jogador de defesa e meio-campo do XV? Um homem que começou muito cedo a jogar seu futebol e a defender o “nosso” XV.

Sua carreira começou em 09 de janeiro de 1938, em partida disputada entre o alvinegro e o Corinthians, quando o XV saiu vencedor por uma contagem de 3 tentos a 2. Nesse mesmo ano, houve uma quebra em relação aos jogadores quinzistas; metade foi convocada a jogar pelo Esporte Clube Independente, o qual também, convidou Strauss. Antônio Lacerda, então diretor do XV, inteligentemente não deixou por menos e fez com que o jogador passasse a titular, como quarto zagueiro do XV de Novembro.

1948 – O GRANDE CAMPEÃO

No XV, Strauss foi campeão da cidade em 1946, 1º campeão profissional do interior, em 1947, mas o grande campeão foi em 1948, quando a equipe passou a fazer parte da 1ª Divisão através da Lei de Acesso.

Strauss não foi jogador apenas do XV. De 1939 até 1942 foi jogar no São Paulo Esporte Clube, onde também teve seu talento reconhecido. Em 1942, foi a Pirassununga servir o Exército, onde permaneceu até o final da Guerra de 45, regressando ao XV e continuando sua promissora carreira…

“Enquanto eu estive fora do X V vieram muitos jogadores me substituir. Jogadores todos de fora, inclusive o Armando, que na época jogava no São Paulo, veio ficar no meu lugar”, diz ele.

Strauss conta que o povo piracicabano tinha até um amor muito grande pelo XV. “Todos compareciam para vibrar com o time. O campo antigo do X V, na Regente Feijó, tinha um apelido: era chamado de “panela de pressão”, devido ao seu tamanho que era pequeno e a pressão que a torcida manifestava toda esfuziante”, comenta.

Um fato interessante, ocorrido, em 1945, na “panela de pressão”, foi durante uma partida disputada com o Guarani. Todos sabiam que o time precisava vencer e para isso era necessário muita pressão contra o time adversário. O campo não tendo nenhum tipo de isolamento, a torcida quinzista não deixou “barato”: mandou uma chuva de ovos chocos nos jogadores do Guarani. “Eram tantos ovos que até os próprios jogadores do XV acabaram levando”, conta Strauss.

MOMENTO DA VITÓRIA

De toda sua carreira como jogador de futebol, Strauss tem muitas lembranças agradáveis, mas para ele o que marcou realmente foi a partida disputada contra o time de São José do Rio Pardo, que aconteceu no campo do Juventus, em São Paulo: “O X V ganhou de 2 a 1 – gols feitos por Rabeca e De Maria; gols que garantiram nossa subida para a 1ª divisão.”

Os piracicabanos foram em massa para São Paulo e quando os jogadores chegaram a Piracicaba a festa não teve limites de animação: “Nós fomos recebidos com uma grande festa por parte de todos. Isso tudo porque os piracicabanos tinham um carinho todo especial pelo XV.”

*CONTINUA

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