A sede que foi “Palácio Encantado” (Final)

A primeira grande contribuição para construir-se a nova sede veio do próprio Luciano Guidotti. Após a inauguração de sua foto na galeria do clube, ele entregou, a Ermor zamb ello, um cheque de 50 mil cruzeiros (dinheiro da época), uma fortuna naqueles anos. A partir daí, a movimentação foi frenética. Forma-se uma comissão pró construção com cidadãos influentes de Piracicaba: os engenheiros Fausto Fonseca Filho e Ciro Barbosa Feraz, mais antõnio Farhat, Armando Piselli, Arnaldo Arzola Woltzlogel, Isael Perina, Ary Coelho, Telmo Otero.

O projeto de construção foi de Reynold Clark Alvares e a obra – prevendo quatro andares na rua Prudente de Moraes e três, na Governador – seria administrada, graciosamente, pela Construtora Holland

Rainhas e contribuições

Clube Cristóvão Colombo nas festividades Foto: http://fotoeahistoria.blogspot.com.br/2011/09/200-anos-de-piracicaba-governador-x.html

A inspiração veio a partir do sucesso e bailes e eventos sociais promovidos por Mauro Pereira Vianna, na coluna “Café da Manhã”. O “Cristóvão” transformou 1960 em ano de festa permanente e “incendiou” Piracicaba com a criação do concurso para “Rainha do Cristóvão” e do Carnaval. Belas moças disputavam os votos visando a angariar fundos para o clube. Entre elas, Janete Troiani, Aparecida Sidney Sálvio e Maria Cecília Maniero, que foi eleita.

Em agosto de 1960, as colunas da construção já se erguiam, preparando-se a fundição da primeira laje. A Refinadora Paulista, atavés de Lino e Hélio Morganti, colaborou com os tijolos necessários à obra. Mário Dedini e Dovílio Ometto, como doações, estavam, como sempre, entre os primeiros a participar do empreendimento. Em novembro, Ermor Zambello era reeleito amplamente apoiado pelos associados.

No início de 1961. João Chiarini – em artigo publicado no “Jornal de Piraciaba – divulgava os nomes que compunham uma verdadeira corrente de apoio e de contribuições, personalidades das mais influentes na economia e na sociedade piracicabana, tais como: Luciano Guidotti e seus filhos Wilson e Willadns, Isael Perina, Valentim Valler, Waldomiro Perissinotto, Armintos Raya, Irmãos Romano, Pedro Clemente, Angelo Filippini, Agostinho Martini Neto, Carlos Dias Correa, Irmõas Morini e muitos outros.

E uma jovem encantadora se tornava “Rainha do Carnaval” do clube: Célia Regina Corrêa dos Santos, que seria celebrada e amada por Piracicaba como uma das mais brilhantes personalidades da Escola de Samba Zoon-Zoon, a hoje Célia Regina Signorelli. Em 1962, seria a vez da também belíssima Sivia Hage. Na revista “Mirante”, o poeta Lino Vitti escrevia, refletindo a empolgação da cidade: “Bravos, Cristóvão Colombo! Bravos, Ermor Zambello!”

Carvalho Pinto e a “sisa”

Ermor Zambello sabia como relacionar-se. E, para isso, passou a contar com um piracicabano íntimo das áreas políticas e jornalísticas de São Paulo, o jornalista Luiz Thomazi. Assim foi que, num fato inédito para a época, o Governador Carvalho Pinto sancionou o projeto de lei, do então dpeutdo Leôncio Ferraz J., nº 6.144, de 17 de junho de 1961, isentando o “Cristóvão” da assim chamada “sisa”, imposto de transmissão imoibiliária intervivos. Economizavam-se, em moeda da época, Cr$1.500,00.

Vitória de Zambello

A cada ano, Ermor Zambello conseguiu, gradativamente, mudar o perfil do “Cristóvão” que, no entanto, ainda perdia em prestígio para o “Clube Coronel Barbosa”, o preferido, então, das elites. A presença cada vez maior de personalidades permitiu que o clube entrasse – como escreveu o colunista Charles Klebber, no “Diário de Piracicaba – “em ordem megatônica”. Na nova boate, apresentavam-se trios famosos como o Iacutan e Itojuval, o conjunto Rithm´s Boys, o violonista João Nogueira.

A ascensão do clube era notável, mesmo porque as antigas lideranças do “Coronel”, do “Regatas”, do “Atlético” passaram a transferir seus esforços e interesses para o novel Clube de Campo de Piracicaba. Ágil, Ermor Zambello aproveitava todas as oportunidades. E sabia fazer política interna. A cada final de mandato, anunciava que deixaria a presidência do “CCRCC”. Mas era levado a candidatar-se. Em 1963, nova e esmagadora vitória de Zambello aconteceu: o “Palácio Encantado” da rua Governador erguia-se, prestes a ser inaugurado.

Inaugurações diversas

Foram diversas as inaugurações da nova sede. Em 1965, no dia 8 de outubro, dava-se a transferência definitiva da antiga sede, da rua São José, para a nova. No dia seguinte, 9 de outubro, comemorava-se o acontecimento: baile, coquetel para autoridades, presença de artistas como Ari Toledo, a orquestra de Rafael D´Aquino, decoração inovadora do então jovem arquiteto João Chaddad.

Os primeiros e os novos membros da comissão de construção eram homenageados de forma solene: Cyro Barbosa Ferraz, Ary de Lima Coelho, Antônio Farhat, Armando Piselli, Ranieri Morini, Fausto Fonseca Filho, Luiz Leee Holland, Walter Naime, Arnaldo Arzola Woltzenlogel. Um colunista social da “Folha de Piracicaba” passou a chamar o presidente colombrino de Ermor (King) Zambello.

O prefeito Luciano Guidotti e o Juiz Joaquim José de Almeida desataram a fita simbólica. Era a primeira inauguração do clube, pois um novo acontecimento viria provocar entusiasmos novos em Zambello para promover a entidade: em 1967, o “Cristóvão” completaria 50 anos. E era o ano do Segundo Centenário de Piracicaba. Para Ermor “King” Zambello seria insuportável que o “Palácio Encantado” não fosse um dos centros das atenções. E foi.

Dois dos primeiros sócios, já octogenários, emocionaram a cidade com seus depoimentos a respeito do incídio do clube, ainda comdo “Circolo Italiano”: João Valério e João Crocomo. Era inevitável lembrar personalidades como as de Terêncio Galezzi e Pedro Zanin. Deste, em entrevista ao JP, em 28 de junho de 1967, João Crocomo deixou registrado, mais do que um testemunho, uma visão moralista da época: “Ele era durão. Se alguém dançava muito perto da dama, ele punha os dois para fora do salão.”

Finalmente, Ermor Zambello dava por encerrada a inauguração do novo C.C.R., Cristóvão Colombo: no dia 29 de junho de 1967, o bispo Aniger Melilo oficiava as bênçãos às dependências do clube, autoridades eram recebidas com coquetel e, no dia 1º de julho, um sábado, grande baile consagrava a obra. E, no dia 24 de novembro de 1967, Ermor Zambello entregava a presidência a seu sucessor, o professor Leonel Faggin, num baile marcado por fortes emoções.

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