Os barões de Piracicaba

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Barão de Rezende

A Piracicaba de 2003 não consegue avaliar a importância do chamado “tempos dos barões” na história do município. Apesar das limitações impostas pelo Império e das estruturas monárquicas da nação brasileira, as famílias Conceição, do Barão de Serra Negra, e Rezende, do Barão de Rezende, deixaram obras e plantaram sementes desenvolvimentistas de que Piracicaba não pode esquecer-se.

São famílias que se uniram também por laços consanguíneos, com origens em troncos portugueses que, no Brasil, se destacaram por serviços e atividades que lhes propiciaram títulos de nobreza. O presente trabalho é uma tentativa de, ainda que precariamente, deixar informações sobre a genealogia da família dos Barões.

O Barão de Serra Negra

Francisco José da Conceição, o Barão de Serra Negra, nasceu em Piracicaba em 1835, falecendo em 1902. Seus pais descendiam de antigo tronco português, ele, Antônio José da Conceição, ela, Rita Maria Morato de Carvalho. O princípio da família Conceição foi com Domingos Luiz, conhecido como “O Carvoeiro”, natural de Marinhota, Portugal.

Da descendência de Domingos Luiz, a filha Bernarda casou- se com o Capitão Mór da Capitania de São Vicente, Amador Bueno da Ribeira, que foi aclamado “Rei de São Paulo”, em 1627, sem aceitar a honraria, permanecendo leal ao rei de Portugal. Rita Morato – mãe de Francisco José Conceição, o Barão de Serra Negra – é descendente direta de Amador Bueno, o Consagrado.

Em Piracicaba, Francisco José da Conceição foi grande lavrador de café, tendo recebido o título de Barão pelas mãos do Imperador D.Pedro II. Possuidor de grande fortuna, foi um dos grandes responsáveis pelo surgimento da Santa Casa de Misericórdia, à qual doou 800 ações de diversas de suas empresa, construindo, também, o Hospício dos Alienados, sendo fundador, ainda, do Banco de Piracicaba.

Descendência

Francisco José da Conceição casou-se com Gertrudes Euphrosina da Rocha, filha do capitalista português Manoel da Rocha Garcia e de Anna Joaquina do Amaral Rocha.

Os Barões de Serra Negra tiveram dez filhos que se casaram com personalidades de destaque na sociedade imperial piracicabana e brasileira:

1. Anna Cândida da Conceição casou-se com o dr. Estevam de Souza Rezende, o Barão de Rezende, tornando-se Baronesa de Rezende;

2. João Batista da Rocha Conceição casou-se com dona Maria de Nazareth, filha do Conselheiro Antônio da Costa Pinto e de sua primeira esposa, Dona Maria de Nazareth de Souza Queiroz, da família de Luiz de Queiroz. A esposa de João Batista era irmã do notável Conselheiro Antônio Prado, presidente da Província de São Paulo. A Chácara Nazareth foi herança do casal.

3. Francisco Júlio da Conceição casou-se com Anna Monteiro de Barros, filha do fazendeiro e político Rodrigo Antônio Monteiro de Barros;

4. Antônio Augusto da Conceição casou com Laura Corrêa Pacheco, filha de Antônio Correa Pacheco.

5. Manoel Ernesto da Conceição, mais tarde Conde de Serra Negra ( ver abaixo)

6. Júlio Conceição, grande cafeicultor, casou-se com Marianna de Freitas, de família santista.

7. Francisca Conceição casou-se com Adolpho Corrêa Dias;

8. Angelina Conceição casou-se com o médico e político, em Piracicaba, Torquato da Silva Leitão, líder republicano;

9. Maria da Conceição casouse com o advogado e líder político, tido como um dos grandes juristas brasileiros, o piracicabano Francisco Morato, consagrado professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco;

10. José Conceição casou com Angelina da Silveira, filha do Comendador e historiador Joaquim da Silveira.

Manoel Conceição

Manoel Ernesto da Conceição, quinto filho do Barão de Serra Negra, tornou-se o Conde de Serra Negra. Nasceu em 1850 em Piracicaba, tornou-se grande lavrador de café e se interessou pela propaganda do café na Europa. Gastou grande fortuna na divulgação do produto brasileiro e, durante 16 anos, sustentou um grande estabelecimento de torrefação de café no centro de Paris, tendo diversas filiais nas províncias. Com a guerra de 1914, interrompeu as suas atividades, mesmo porque elas eram mais propagandísticas, sem busca de lucro.

O Conde de Serra Negra casou- se com Maria de Souza Rezende, filha do Barão de Valença, Pedro Ribeiro de Souza Rezende e Justina Emerich de Souza Rezende e neta, portanto, do Marquês de Valença, Estevam Ribeiro de Rezende. Outro filho do Marquês de Valença foi o Barão de Rezende, irmão de Pedro, Estevão Ribeiro de Souza Rezende.

O Clã Rezende

A família Rezende tem uma das mais brilhantes genealogias na história do país. O berço é na fazenda Engenho Velho de Cataguás, no município de Lagoa Dourada (Minas Gerais). No século XVIII, no velho solar da fazenda, estabelecem-se João Rezende Costa e sua mulher Helena Maria, de famílias vindas dos Açores. Dos 13 filhos que deixaram, um deles, o Capitão José de Rezende Costa, foi membro atuante da Inconfidência Mineira, tendo sido degregado à África onde ficou por dez anos e lá morreu. Deixou dois filhos: o também inconfidente Conselheiro José de Rezende Costa, primo do Marquês de Valença, e D.Francisca Cândida de Rezende.

Uma das filhas do Conselheiro José de Rezende Costa, Josepha Maria de Rezende, casou-se com o Coronel Severino Ribeiro, um cavaleiro de milícias de São João d´El Rey. O casal teve 12 filhos e um deles foi Estêvão Ribeiro de Rezende, que seria o Marquês de Valença, que nasceu em 20 de julho de 1777 na Fazenda Cachoeira, em Lagoa Dourada.

Marquês de Valença

A vida do Marquês de Valença, Estêvão Ribeiro de Rezende, foi venturosa e brilhante. Culto, conhecedor do latim, francês, italiano, retórica e filosofia, formou-se em direito na Faculdade de Coimbra, sendo “juiz de fora” nas vizinhanças de Lisboa. Estava no cargo quando, diante da iminência da invasão napoleônica, D. João VI transferiu-se para o Brasil. Estêvão de Rezende passou por grandes agruras mas conseguiu chegar ao Brasil em 1810 e, em 1818, torna-se desembargador em São Paulo. É agraciado com o título de barão e conde.

Aos 48 anos, Estevão Ribeiro de Rezende casa-se com Ilydia Mafalda, filha do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza e de Genebra de Barros Leite, governantes da Província de São Paulo e grandes proprietários de terra. Torna-se deputado, ministro da justiça, senador por Minas Gerais e por São Paulo, presidente do Senado e, em 1848 é agraciado com o título de Marquês de Valença.

Barão de Rezende

Estêvão Ribeiro de Rezende e Ilydia Mafalda tiveram 11 filhos, todos eles casados com representantes de famílias tradicionais de São Paulo. Três deles, irmãos, tornaram-se barões: Geraldo Ribeiro e Souza Rezende, Barão Geraldo de Rezende (Campinas); Pedro Ribeiro de Souza Rezende, Barão de Valença, e Estevam Ribeiro de Souza Rezende; Barão de Rezende, em Piracicaba.

O Barão de Rezende casou com Ana Cândida, filha dos barões de Serra Negra e sua história está intimamente ligada ao desenvolvimento de Piracicaba, iniciando-se com a fazenda São Pedro, terras do Engenho Central, que originam a Vila Rezende. Têm a sua marca a criação de um instituto agronômico, a pedra fundamental do novo Teatro Santo Estêvão, o ramal da companhia Ituana, a ponte acima do salto, o Mirante (Parque Belvedere), a Empresa Engenho Central, a Companhia Niágara Paulista, o apoio à obra da filha Lydia na construção do Sanatório São Luiz, estímulo à educação do colégio das freiras de São José e outras grandes obras, incluindo o antigo prédio da Prefeitura, demolido, à rua São José, onde foi sua residência.

Os barões de Rezende tiveram os seguintes filhos: Estevão, que faleceu solteiro; Luiz, casado com Altimira Guedes, precocemente falecido; Francisca, casada com Américo Brasiliense de Almeida Mello, sem filhos; e Lydia de Rezende, que se notabilizou por grandes obras sociais, solteira.

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