História do cinema em capítulos

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A fase pioneira do cinema aconteceu em solo europeu, principalmente na França. Os americanos demoraram um pouco a embarcar na novidade, e Hollywood não era esse espaço destinado à sétima arte que hoje conhecemos. O primeiro impulso para vencer uma dificuldade técnica – como dar continuidade à ação por meio de planos sucessivos? – foi dado na Inglaterra. Em 1900, James Williamson mostrou Ataque a uma Missão Chinesa, que  trazia narrativa complexa e elenco com 20 atores.

Enquanto isso, na França, a nova arte ia se desenvolvendo. Nomes marcantes foram Charles Pathé e Ferdinand Zecca. O mais famoso, porém, foi George Meliès, que estava entre o público da primeira exibição dos irmãos Lumière, em 1895. Ele foi personagem de A Invenção de Hugo Cabret, declaração de amor ao cinema realizada por Martin Scorsese, e interpretado por Ben Kingsley.

Meliès era mesmo uma figura. A sua paixão pelo cinema começou por conta do ilusionismo, arte a que se dedicava antes. Seus filmes mudos têm essa aura de ilusão, como o mais famoso deles, Viagem à Lua, com a famosa imagem do satélite com coceira nos olhos por causa do foguete intruso. Foi considerado “pai dos efeitos especiais” e chegou a dirigir mais de 500 filmes. É reconhecido como a primeira influência de muitos cineastas. Charles Chaplin o chamou de “alquimista da luz” e D. W. Griffith declarou: “a ele devo tudo”.

Outro nome marcante foi Louis Feuillade, famoso por sua obra escapista e fantasiosa. Seu maior sucesso foi Os Vampiros, de 1915, em que mostra uma trupe de ladrões aterrorizando Paris. E ao mesmo tempo fez um retrato da maldade feminina. Filho de vinicultores do sul da França, tentou a carreira literária antes, sem sucesso, e logo começa a escrever roteiros para a produtora Gaumont. Dirigiu centenas de curtas-metragens. Também teve sucesso com a série Bebè, estrelada pelo ator mirim René Dary, e com o filme em episódios A Vida Como Ela É. Outro grande êxito foi Fantômas, de 1913. Apesar do sucesso popular, nunca conseguiu o o apoio da crítica francesa, já elitizada, que considerava seus filmes exagerados e de mau gosto.

É que se ele e Mèlies viam o cinema como fantasia e escapismo, a Societè Fim d’Art tinha como missão transformar a novidade em arte. A primeira produção foi O Assassinato do Duque de Guise, de 1908, com trilha sonora encomendada ao compositor erudito Camile de Saint-Saens e elenco formado por atores da Comèdie Française.

Na vertente intelectualizada estava Abel Gance, famoso pelo épico Napoleon, história do imperador francês. Era considerado o equivalente francês do americano Griffith, com suas obras grandiosas. Gance foi antes ator de teatro, mas ao mesmo tempo escrevia roteiros para o cinema. Estreou com o curta-metragem A Loucura do Doutor Tube, sobre os delírios de um cientista.

Fez sucesso com o drama mudo A Décima Sinfonia e logo depois viajou para os Estados Unidos, onde dirigiu A Roda. Porém, nos anos 30, sofreu um revés com o grande fracasso da ficção científica O Fim do Mundo. O interesse pela obra de Gance só foi retomado nos anos 60, com a chegada da Nouvelle Vague. Em 1979, uma versão de cinco horas de Napoleon trouxe seu nome de novo à popularidade, apenas dois anos antes de sua morte, por tuberculose.

1 comentário

  1. Willians em 16/10/2017 às 14:02

    Parabéns pela iniciativa! O tema é muito interessante e o conteúdo bastante rico. Vou acompanhar.

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