No tempo em que ter amante dava cadeia

Los Amantes Pintores – Juan Carlos Boveri

O primeiro grande e rumoroso romance de Piracicaba – apaixonante, quando observado à distância de dois séculos que se passaram – foi o do sargaento-mor Carlos Bartolomeu de Arruda com a viúva Maria Flor de Almeida. Para se impedir o escândalo na então pequena vila, até o Presidente da Província precisou intervir. Resultado: Maria Flor foi desterrada para Itu. Era tão grande a paixão, no entanto, que ela retornou a Piraciacba para enfrentar o povo e continuar o romance com Carlos Bartolomeu.

O moralismo era mais sério do que se imagina. Ter amantes tornava-se problema de governo. E Piracicaba, em 1804, continuava sendo um lugar de desterro para os que causavam problemas ou eram indesejados em Itu. Um certo Manuel Ressurreição Monteiro, ituano, foi apanhado em flagrante com duas concubinas, as “raparigas Angelina e Anna”, na sua Itu, a “Fidelíssima”. Resultado: Manuel foi preso e as duas “raparigas”, o que lhes aconteceu? Foram desterradas para Piracicaba, como ocorria com todos os que afrontavam as “leis da coroa”.

Pode-se, porém, fazer uma outra leitura, por que não? Não seriam, os desterrados, pessoas com agudo senso de liberdade e não simples marginais, como deles se conta?

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