Em busca de um caminho

Ao me recordar dos anos 60 e início dos 70, me vêm à memória nomes de piracicabanos que retornam à cidade depois de se ausentarem por causa dos estudos. Vivem e trabalham na cidade Clemência Pecorari Pizzigatti, (estudara artes plásticas na Fundação Armando Alvarez Penteado e se dedica ao magistério), Ermelindo Nardin, (também da área de arte, gerencia a loja de móveis da família, na Rua Governador Pedro de Toledo), Cecílio Elias Netto, (do direito para o jornalismo com sua “Folha de Piracicaba”), Gustavo Jacques Dias Alvim (igualmente formado em direito, colaborador da “Folha”, membro ativo da Igreja Metodista). Lembro-me também dos padres José Maria de Almeida, José Maria Teixeira e Otto Dana, e de Newman Simões, estudante da ESALQ. Entre tantos outros, destaco o de José Maria Ferreira, vindo dos estudos na Inglaterra. É o Zé Maria, como o chamávamos, que me convida para inaugurar a Galeria Sempre-Viva, da ECA (faculdades de Economia, Contabilidade e Administração de Empresas, embrião da UNIMEP – na época em que era reitor o reverendo Crisantho César). Era minha primeira exposição individual. Dei o nome de “Variações sobre o mesmo tema” a série de gravuras impressas em papel de jornal. No catálogo, Zé Maria, ou J. M. Ferreira, que é como ele assinava seus textos, me apresentava assim:

“É sempre emocionante acompanhar um jovem artista que, partindo da tradição em busca de soluções formais novas e próprias, descobre pouco a pouco o seu caminho e a sua marca.”

E Ermelindo Nardin escrevia em “O Diário”, em 08/07/69:

“Por incrível que pareça, sem divulgação, sem incentivo da imprensa, sem comentários, talvez por ser jovem e não trazer os títulos acadêmicos, Araken expôs na Galeria Sempre-Viva, do Colégio Piracicabano. Nós que conhecemos os trabalhos anteriores do artista ficamos surpreendidos de poder ver como se transformou e melhorou a passos largos, sentimos toda uma luta íntima para a libertação e a descoberta do novo. Em algumas gravuras, nota-se forte influência de Picasso, mas vemos também que os traços acadêmicos de outrora já estão chegando ao fim. A mais notável é a de número 10, lírica, onde se consegue compor com muita liberdade dentro de uma tendência expressionista figurativa; são figuras no espaço, horizontes que se perdem formando um clima misterioso. A figura humana é sua principal preocupação, lembranças da infância e sonhos para o futuro, ilusões desfeitas. (…)”.

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