Morrer brigado com alguém muito próximo

Experimente só você morrer brigado com alguém muito próximo pra ver o que acontece! Pelo menos os causos da cultura popular garantem que fatos espantosos ocorrem. Tem até quem jure que duas comadres que morrem de mal acabam virando mula-sem-cabeça, que horror, não? Mas isso já deve ser exagero e uma outra história.

Acontece que tem gente afirmando, que presenciou fatos incríveis relacionados a pessoas que morreram com raiva de amigos. É que existe a crença de que eles se transformam em almas penadas e que não descansam enquanto não conseguirem o perdão.

O sinal luminoso

Francisco de Oliveira, por exemplo, contou um causo muito interessante. Segundo ele, há algum tempo atrás, morreu uma amiga de sua esposa, mas na época as duas estavam brigadas. Ele não se lembrava mais da coisa, mas teve sua memória reavivada numa noite de lua cheia. “Eu saí de casa, no sítio, era um sábado e ia para a casa da Cida, que morava perto e sempre fazia uns bailes animados no sábado, em que todo o pessoal comparecia pra se divertir. Minha mulher resolveu não ir, ficou em casa, mas não fez questão que eu fosse, porque sabia que a coisa era de família”.

Francisco saiu de casa, mas tinha que atravessar um caminho que estava razoavelmente escuro. Foi quando algo despertou sua atenção. “‘De repente, apareceu bem diante de mim uma luz muito forte. Eu não entendi o que era aquilo, não tinha carro nenhum vindo e nem podia ser um simples vagalume, porque era muito brilhante. Então eu resolvi desviar um pouco, mas não adiantou nada, pro lado que eu fosse ela ia também”.

Sinceramente, ele diz que ficou com muito medo, porque não conseguia entender o que era aquilo. Não teve outra alternativa, deu meia volta e decidiu ir por um atalho. Isso porque também não estava a fim de desistir de aproveitar um arrastapé animado na casa da Cida, que isso era bom demais e ele não era de ferro nem nada. “Bom, eu dei a volta, mas quando estava chegando perto, lá estava a luz de novo”…

Aí ele pensou o seguinte: agora não tem jeito, se eu fugir, periga eu dar de cara novamente com esse negócio e vou acabar perdendo o baile, é melhor perguntar logo o que é isso e o que está querendo de mim. Pois foi exatamente o que fez. “Nisso, a luz ficou mais forte e eu pude ouvir uma voz que vinha de longe. Disse que era a comadre de minha mulher e que estava muito triste porque não conseguiu fazer as pazes enquanto ainda estava viva. E disse que precisava ficar em paz e isso só seria possível se minha mulher mandasse rezar uma missa pra ela e não ficasse mais com raiva”.

Dito isso, a luz desapareceu e Francisco pode ir à festa, mas nem aproveitou muito, pois ficou o tempo inteiro pensando no que tinha acontecido.

No seguinte, diz que não contou nada pra esposa, achou que não iria acreditar. “Mas como quem não quer nada, comecei a falar sobre a comadre com ela. Disse que elas tinham sido tão amigas e que não valia a pena ela ficar ainda remoendo mágoa da outra, que isso não era bom pra ela. Pois é, isso adiantou, porque ela concordo comigo, mandou rezar um missa e até levou flores para túmulo da mulher”.

Se ele achou que isso resolveu a questão? “Eu acho que sim, pelo menos eu nunca mais vi luz falante nenhuma na minha frente”.

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