Rodrigues Alves

Rodrigues Alves

O paulista de Guaratinguetá, Francisco de Paula Rodrigues Alves, foi o terceiro presidente civil da República, imediatamente após o  ituano Prudente de Moraes e o campineiro Campos Salles. E foi Rodrigues Alves, também, o último paulista a comandar a Nação, pois outros deles, cuja vida política se fez a partir de São Paulo, não eram paulistas: Washington Luiz, nascido em Macaé, RJ; Jânio Quadros, em Campo Grande, MT;  Fernando Henrique Cardoso, carioca de nascimento e  Luiz Ignácio Lula da Silva, pernambucano. Outro paulista que ocupou a Presidência, mas provisoriamente, foi o também caipira de Caconde, Ranieri Mazzilli.

Rodrigues Alves nasceu na Fazenda de Pinheiro Velho, município de Guaratinguetá(SP), no dia 7 de julho de 1848. Seus pais: o português Domingos Rodrigues Alves e a caipira Isabel Perpétua, “Nhá Bela”, que se tornaram grandes proprietários de terra. Com uma infância tranqüila, o menino Francisco de Paula viveu na zona rural com seus 12 irmãos até que o pai o escolheu para ser o filho que estudaria no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, a escola da elite brasileira. Foi nela que Rodrigues Alves encontrou as bases para a sua vasta cultura, aprendendo grego, alemão, francês, retórica, matemática com os mais renomados professores de sua época.

Aluno brilhante e incansável, Rodrigues Alves tornou-se bacharel em Letras e, em seguida, ingressou na lendária Faculdade de Direito de São Paulo, do Largo São Francisco. Na faculdade, foi colega de turma de Rui Barbosa, com quem disputava as honras de melhor orador. De sua turma ou contemporâneos, são, também, personalidades notáveis, como Prudente de Moraes, Saldanha Marinho, Afonso Pena, o barão do Rio Branco, Afonso Arinos, Washington Luís, Arthur Bernardes e outros. Todos eram membros de sociedades secretas românticas, como a maçonaria e a também lendária “Bucha” (Burschenschaft), da qual saíram nada menos do que  seis presidentes da República brasileira.

Casou-se com uma prima-irmã, Ana Guilhermina De Oliveira Borges, filha do visconde e da viscondessa de Guaratinguetá. Tiveram oito filhos.

Vida política

Iniciando sua vida como promotor de Justiça em Guaratinguetá e em São Paulo, Rodrigues Alves preparou-se longamente para ingressar na política partidária. Em 1885, aos 37 anos, elegeu-se deputado à Câmara Federal. Foi presidente da Província de São Paulo (governador de Estado), membro da Constituinte de 1890-91. Convidado por Prudente de Moraes e Campos Salles para Ministro da Fazenda, preferiu o Senado e, em seguida, reeleger-se para o governo de São Paulo. Foi como governador que, convidado por Campos Salles, se candidatou à Presidência da República, sendo eleito em 1902 com 592.039 votos, contra 52.359 dados a Quintino Bocaiúva.

Seu governo notabilizou-se por grande preocupação social, de linha progressista. O saneamento do Rio de Janeiro foi sua marca registrada, graças, também, à atuação dos engenheiros Pereira Passos e Paulo de Frontin. Foi em sua administração que o Brasil assistiu a grandes convulsões sociais pela obrigatoriedade da vacina contra a febre amarela, a  cruzada de Osvaldo Cruz. O povo o apelidou de “O Papai Grande lá do Catete” e “Morfeu”.

Deixando a presidência, retornou ao governo de São Paulo e, mais tarde,  em 1918, reelegeu-se presidente da República. Mas não tomou posse: ironicamente, o homem,  que erradicou a malária, foi vítima da gripe espanhola, morrendo na madrugada de 16 de janeiro de 1919.

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