Para José Bonifácio (Patriarca da independência) havia ouro em Piracicaba

Corria o ano de 1820. Foi nesta época que José Bonifácio de Andrada e Silva, o conhecido personagem da história do Brasil cunhado como “Patriarca da Independência”, passou pela Freguezia de Piracicaba. A estada se deveu a uma viagem de estudos mineralógicos em que se pretendeu estudar “in loco” a mineralogia da Província de São Paulo. Acompanhou- o o irmão Martim Francisco Ribeiro de Andrada, em viagem iniciada a 23 de março daquele ano, a partir da vila de Santos, e que ficou registrada em publicação denominada “Memória científica: Viagem mineralógica na Província de São Paulo”.

Das conclusões mais sugestivas apresentadas destacou- se, conforme artigo assinado pelo Prof. Demosthenes Santos Correa – um dos precursores do ensino de Química no Estado dentro de uma perspectiva moderna – em 1946, no jornal “O Diário”, a possibilidade de que, em águas do Piracicaba, pudesse existir ouro e pedras preciosas a serem exploradas.

Segundo o relatório, na parte relativa às descrições dos arredores da Freguezia de Piracicaba, José Bonifácio assim se expressou: “A freguezia se eleva em uma colina donde por uma suave descida se chega ao rio, perto de sua queda. Não nos esqueçamos de que o rio Corumbatay, d’aquela vila, tem banhos termais chamados Agua Santa. Outras águas termais se acham na colina das Araras, mas a falta de caminhos e de casas faz com que não sejam frequentadas. No salto, na margem esquerda do Piracicaba também há uma fonte de agua fria sulfúrica”.

José Bonifácio menciona, entretanto, não ter podido prosseguir as explorações até a colina de Araraquara, mas que possuía informações de que naqueles campos, onde se fixavam propriedades do Major Carlos de Arruda Botelho, as terras eram auríferas. Diz o relatório: “Ouvi de uma pessoa verdadeira que os pastores do major Carlos de Arruda Botelho, cuja fazenda é encostada ao monte de Araraquara – trata-se de fazenda preservada atualmente pelos herdeiros, localizada no município de Brotas, próxima a São Carlos – tem algumas vezes achado, em diversos pontos de sua extensão, folhetos de ouro, de 10 a 12 onças de peso. Igualmente ouvi que há muito ouro e diamantes nos rios Jacarépepira e Jacaré-Guaçu”.

Para o Prof. Demosthenes, segundo as reflexões publicadas em 1946, não seria de se duvidar a ocorrência de ouro e pedras preciosas no Rio Piracicaba, nos córregos e riachos, nos montes e ermos “ainda mal conhecidos do ponto de vista mineralógico, pois o Brasil, no que concerne à sua geologia e mineralogia ainda está mal conhecido, sendo suficiente dizer- se que, até hoje, com raras exceções, só se minerou o ouro aluviar e superficial”.

No que se refere a outras composições da área, os registros de José Bonifácio identificam, nas terras do Taquaral “uma formação de xisto silicoso, que algumas vezes passa a pederneira”. No salto do Piracicaba, há registro de que “na superfície do chão aparecem pedaços de xisto silicoso, azul escuro e negro. O terreno de toda a estrada é de massapé violeta escuro e de outros cores”.

(Ilustração: Lavagem de ouro, perto de Itacolomi. Reprodução de gravura de Johann Moritz Rugendas, do livro “Viagem pitoresca através do Brasil”, de sua autoria)

1 comentário

  1. rafael em 27/05/2014 às 22:58

    sempre tive minha teorias sobre ter ouro no salto de piracicaba.

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