História do Largo da Matriz (1)

“… Em virtude dela veio o dito Capitão Mor a esta Povoação no dia vinte dois do referido mês e ano (julho de 1784) e trouxe em sua companhia o Capitão João Fernandes da Costa e a Miguel Francisco Paes Soares, mestre entalhador e armador, e correndo estes com o Capitão Povoador, seus oficiais e maior parte do povo o referido terreno concordaram unânimes, e mesmo o Reverendo Pároco em a mudança para abaixo o Salto e estando este coberto de matas, limpou-se e preparou-se de mão comum para o delineamento da povoação de que para constar lavrou o mesmo esta Lembrança (ata) em que assinou o Reverendo Pároco, Capitão Povoador, Oficiais e o Mestre Entalhador e Armador e o povo aos trinta dias do mesmo mês…”,… e ano. (seguem-se as assinaturas).

Sábado, 31 de julho de 1784, após participarem da Santa Missa celebrada pelo pároco Frei Thomé de Jesus, na qual autoridades e poviléu, na oração dos fiéis haviam solicitado ao Senhor, pela intercessão da Virgem graças para a mudança da povoação de Piracicaba, todos se dirigiram à margem esquerda do rio, ao lugar escolhido, demarcando “um páteo com quarenta e seis braças em quadra, seguindo de norte a sul e de leste a oeste para edificar-se a Igreja Matriz em qualquer parte dele”. Estava delineado o Largo da Matriz no mesmo lugar onde ainda hoje se encontra.

Porém, ato contínuo, surgiram as desavenças. Antonio Corrêa Barbosa não conseguia quem o ajudasse na construção da nova igreja. Isso porque a pequena população não aceitava a troca da padroeira Nossa Senhora dos Prazeres por Santo Antonio. Santo do seu nome… Só depois do sumiço da imagem de Nossa Senhora, que foi edificada a nova Matriz de dimensões maiores que a outra da margem direita.

praça josé bonifacioF. Nardy Filho, um dos grandes cronistas de Piracicaba (nome, injustamente quase esquecido), escrevia em 1950 – “Piracicaba de Outras Eras, narração que não pode ficar esquecida no registro da história de Piracicaba:

“… Bem me recordo dessa Piracicaba de 65 anos atrás. Era ela bem mais pequena… Lembro-me da velha Igreja Matryz, do seu largo atapetado por um gramado natural e inculto, onde se erguiam esguios coqueiros. Assisti à formação do jardim que depois se aformoseou, desde o arroteamento, feito por arado puxado por uma junta de bois até a fatura da grade de madeira, pintada de vermelho, que o cercou… No lugar onde hoje se ergue o monumento do Soldado Constitucionalista, ficava a cadeia velha. Assisti à sua demolição: por ocasião, um escravo da minha casa que trabalhava nessa demolição, caiu do alto sem que nada lhe acontecesse. – Milagre de Santo Antonio disseram, e foi mesmo, pois de tal altura era para ficar espatifado no chão, no entanto, não sofreu a menor fratura… Boas companhias teatrais iam já por esse tempo ao hoje velho Santo Estevam, cuja inauguração data de 1871.

… No dia 28 de fevereiro de 1868, ou seja há 82 anos, Manuel Pereira Aguiar matou um bugio na atual rua Direita (hoje Governador Pedro de Toledo), o que quer dizer que ali por perto tudo era mataria virgem. Assim era de fato: todo o madeiramento da Matriz Velha foi tirado no mato que corria além do córrego Itapeva (sobre ele, hoje, encontra-se a Av. Armando de Salles Oliveira)…”

A primeira remodelação do “pasto jardinado” adveio da inauguração do abastecimento de água e do repucho do jardim, em 26 de maio de 1887.

Com a presença do Visconde de Parnaíba, que foi recebido como hóspede no solar do Conselheiro Costa Pinto, na esquina da rua São José com a Praça da Matriz, ao ato da inauguração triunfou uma iniciativa da Câmara Municipal que, em 1880, encarregara Francisco Júlio Conceição de um projeto, que não foi posto m execução por entenderem os vereadores muito dispendioso para o erário.

A realização das obras foi entregue ao engenheiro suíço João Frick, genro do Visconde de Mauá em 1885, através de concorrência pública, da qual participaram João Bryan, Miguel Assmussen, Gregório Mascarenhas e Hermann Putkammer, isso em 12 de dezembro. Na execução da obra associaram-se João Frick e Carlos Zanotta, constituindo a firma Frick & Zanotta.

O contrato firmado entre a Câmara Municipal e o empresário João Frick, rezava no seu artigo 18o, parágrafo 6o, que no centro da praça-Jardim em frente à Matriz deveria ser colocado um tanque circular e o seu respectivo repucho.

O repucho foi doação de Júlio Conceição, muito singelo, mas todo lavrado em mármore com diversos esguichos, abrigando no tanque peixinhos vermelhos conhecidos na época como “peixinhos do Japão”.

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