Os grandes crimes de Piracicaba – parte I

13 de novembro de 1.899. Local: centro da cidade. Os relógios marcavam 13 horas quando o pintor José Ferraz de Almeida Júnior foi morto pelo seu primo José de Almeida Sampaio, na porta do Hotel Central, que ficava do lado da matriz. O pivô do crime: uma mulher.

Numa época em que o pintor esteve em Paris, o primo Almeida Sampaio freqüentava a sua casa que ficava na rua da Glória, em São Paulo. Numa cômoda, encontrou inúmeras cartas de sua esposa a Almeida Júnior declarando um grande amor. Nas cartas ainda a mulher, que era modelo do pintor, fazia acusações morais contra o marido. As correspondências foram publicadas na revista Piracema, exemplar n. 2. “As cartas foram o motivo” – fala o advogado João Chiarini, que recorda de vários crimes que abalaram a cidade.

No dia 13 de novembro, o pintor Almeida Júnior veio para Piracicaba de trem (Sorocabana), enquanto que José Sampaio, que estava em São Paulo, viajou de trole, fazendo o percurso Jundiaí, Monte Mór, Mombuca e Piracicaba. Almeida Júnior hospedou-se no quarto nº 13. As 13 horas, desceu. O primo avançou em sua direção e cravou um punhal na altura da região clavicular, atingindo o coração.

O artista ficou estendido na calçada em estado hemorrágico. Ninguém o socorreu porque era monarquista. Foi o pessoal que trabalhava no jornal O Piracicaba quem acabou socorrendo. “As pessoas tinham muito medo porque estávamos em cima da República. Tinham medo dos milicos” – conta o advogado Chiarini.

O assassinato do pintor foi um escândalo nacional. Em seu enterro vieram as bandas de Itu, São Paulo e Campinas, prestar a última homenagem ao pintor consagrado. Ele foi enterrado no cemitério da Saudade. O túmulo era repleto de jasmim, cuidado por Joaquim Dutra. “Quem entrava no cemitério até antes de 1.943, chegava ao túmulo de Almeida Júnior pelo perfume das flores”. Mas naquele ano, o túmulo foi substituído pelo mausoleu e ganhou características modernas.

O crime, presenciado por Francisco

Morato, que estava na porta da igreja, resultou em um enorme processo que acabou desaparecendo, segundo o advogado João Chiarini que o manuseou até 1962.

O primo, no entanto, foi absolvido.

 

*CONTINUA

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