A HISTÓRIA QUE EU SEI (129)

O feitor de obras
Ao Prefeito Adilson Benedicto Maluf deve-se creditar o maior conjunto de obras realizadas em Piracicaba. Em sua prestação de contas, Adilson Maluf aponta a feitura de cerca de 150 quilômetros de ruas e avenidas asfaltadas, tendo o Secretário de Obras Públicas, Walter Godoy dos Santos, como o condutor delas. Com o apoio do governo do Estado, duplicou a chamada “Ponte do Mirante”, antiga “Ponte Nova”. Credita-se à sua administração a construção de cerca de 40 mil metros de galerias pluviais, a retificação do Ribeirão Piracicamirim, do canal das Ondas e do Ribeirão do Enxofre. O SEMAE, segundo seus relatórios, tinha realizado mais de mil ligações de água e de esgoto, equacionando o abastecimento de água também em Ártemis, Saltinho, Tupi, Ibitiruna e Anhumas. 68 O vice-prefeito Antonio Fernandes Faganello influía decisivamente para que se desse atendimento à zona rural e à periferia, dando ênfase ao abastecimento. Criaram-se os “Varejões”, então sob o comando do secretário José Flávio Leão, deslocado para a Secretaria de Abastecimento. Construíaase, através do Governo do Estado, a Estrada Piracicaba-Anhumas. Remodelou-se e recuperou-se o Parque da Rua do Porto, que houvera sido criado na administração de João Herrmann Neto. Criou-se o Jardim Botânico, sem ter sido, porém, totalmente implantado. Na área de habitação – com os barracos das favelas multiplicando-se, a ineficiência dos PROFILURBs (Programa de Financiamento de Lotes Urbanizados) àa Prefeitura não obteve êxito, sendo difícil e atritante o seu relacionamento com a Associação dos Favelados. O Prefeito Adilson Maluf negava-se a dar continuidade às conquistas que aquela associação havia alcançado. E, ao mesmo tempo, na área de saúde – que tinha sido uma das sustentações da administração anterior – Adilson Maluf praticamente desmontou toda a estrutura encontrada, passando a imprimir a sua própria visão do problema.

 

Foi na administração de Adilson Maluf que, com o apoio da Prefeitura, surgiu o Shopping Center Piracicaba, em 1987. O novo Fórum foi concluído pelo Governador Franco Montoro, surgindo, ao final da administração, o Centro Cívico, no Parque da Rua do Porto, onde passou a se instalar a Prefeitura Municipal, uma obra polêmica, discutida que, de certa maneira, interrompia os planos anteriores do ex-prefeito João Herrmann Neto para que a municipalidade viesse a ser transferida para o Engenho Central, com sugestões esboçadas preliminarmente por Oscar Niemeyer. A Avenida Armando de Salles Oliveira foi remodelada, ampliando-se para duas pistas, aproveitanndo-se o leito dos trilhos da antiga Sorocabana, sob o protesto dos ecologistas que discordavam da derrubada de alguns “flamboyants”. Construiu-se o Anel Viário da cidade.

 

Na realidade, a administração de Adilson Benedicto Maluf, de 1983 a 1988, foi uma das mais profícuas em termos de obras e de realizações, tendo-se iniciado com a grande enchente do Rio Piracicaba, devastadora. Comprovava-se o que dele se sabia, o feitor de obras. No entanto, o político desaparecia diante do engenheiro, a ponto de, mesmo nos bairros beneficiados, o prefeito ser impopular e mal-recebido. Adilson Maluf não se aproximava fisicamente dos bairros e das pessoas. Conhecia a cidade e determinava as obras a serem realizadas na sua prancha de engenheiro, em reuniões de gabinete. Tanto assim era que, tendo-se afastado do cargo para viajar à China, as coisas mudaram quando o vice-prefeito Antonio Fernandes Faganello assumiu. No exercício do cargo, Faganello passara a maquiar a cidade, a visitar bairros, a mobilizar forças populares, a estimular mutirões. Essa diferença de estilos criou os primeiros atritos entre o prefeito e seu vice, dificuldades que iriam se acentuar nas eleições de 1988. Faganello demonstrava sensibilidade social, certamente por força, também, de suas origens e raizes humildes. Adilson Maluf tinha a preocupação de fazer obras, sem consultar os beneficiados, sem importar-se com a opinião da população, especialmente a mais carente que continuava influenciada pelo carisma pessoal de João Herrmann Neto. Nem mesmo os varejões construídos – em número de sete – aumentaram a popularidade de Adilson Maluf, pois os preços, nos varejões, chegavam a ser até maiores do que nas feiras livres e no Mercado Municipal.

Adilson Maluf terminou o seu mandato debaixo de grande impopularidade, que se refletiu sobre a candidatura de Antonio Fernandes Faganello, lançado pelo PMDB à sua sucessão.

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