A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXV)

A carta-compromisso
O encontro foi marcado pelo próprio Levy, em seu escritório em São Paulo. Lá estariam Salgot Castillon e Humberto D’Abronzo. Pouco antes, porém, do encontro, um telefonema de José Carlos Pfiffer, principal assessor de D’Abronzo, dava indícios de que este já não estava levando muito a sério a possibilidade, muito forte, de sua candidatura. Pfiffer telefonava a Salgot dizendo que, no encontro com D’Abronzo, não deveria, ele, comprometer-se ou fazer acordo pois a “situação estava sob controle.” O que, na verdade, Pfiffer pretendia dizer é que D’Abronzo estava para desistir da candidatura e era o próprio Pfiffer quem pretendia ser candidato. Animado por sua passagem pelo Ministério da Agricultura. Não haveria, pois, razões para acordos políticos.

Mas houve. As dificuldades pessoais e das empresas de Humberto D’Abronzo tornavam-se obstáculos à sua candidatura. E o que ele pretendia é que um futuro prefeito, fosse Salgot Castillon ou outro, o ajudasse a recuperar o que investira no E.C.XV de Novembro, importância vultosa que a cidade pensava tratar-se de doação, mas que D’ Abronzo tinha como empréstimo. Esses apoios financeiros da Prefeitura aos clubes profissionais eram sempre discutidos, mas eles existiam. Assim, na frente de Herbert Levy, Salgot Castillon acabou assinando uma carta-compromisso para Humberto D’ Abronzo, em que se comprometia, se viesse a ser prefeito, a apoiar o E.C.XV de Novembro com a importância de 700 mil cruzeiros novos.

Essa carta-compromisso teve caráter decisivo na vida político-administrativa de Piracicaba. Pois, em 1969, quando Salgot Castillon já retomara à Prefeitura – e na vigência do AI-5 – uma “blitz” do Imposto de Renda invadiu algumas residências de Piracicaba, entre as quais a de Romeu Italo Rípoli, Farid Elias Cassab, Jorge César de Vargas e a de Humberto D’Abronzo. Entre os documentos que a Polícia Federal recolheu no cofre particular de Humberto D’ Abronzo estava a carta-compromisso de Salgot Castillon. E essa carta foi transformada em outro motivo para que lhe fossem cassados o mandato e os direitos políticos.

*CONTINUA

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