Antônio Oswaldo Ferraz

Na foto estão João Chiarini, Jamile Japur e Antônio Oswaldo Ferraz. É de 1947. Ao lado da “Leiteria E Sorveteria”. “A NOVA AURORA”, de João Baptista Cardinalli (“Vosso Pão”).

Foi em 1988 que João Chiarini escreveu sobre Antônio Oswaldo Ferraz, no Semanário A PROVÍNCIA, edição de julho daquele ano. Segue a história abaixo:

Antônio Oswaldo Ferraz farmacêutico e professor. Foi diretor da Escola Típica Rural “Dr. Kok” e da Escola Típica Rural de Dois Córregos.

Inspetor do Ensino Típico Rural junto à assistência Técnica do Ensino Típico Rural, em São Paulo, levado que foi pelo mestre Thales Castanho de Andrade (1946).

Goleiro do E.C. XV de Novembro. Em uma das partidas quebrou o braço, interrompendo uma carreira pianística que se lhe vislumbrava.

Crítico de arte do “Jornal de Piracicaba”, logo, a partir da fundação da Sociedade de Cultura Artística de Piracicaba (1952) foi até à sua ida a São Paulo (1946).

Figura em o “História e Histórias”, de 1922, coletânea organizada por Thales Castanho de Andrade, com os alunos-concluintes do Curso de Formação Profissional de Professor da Escola Normal Oficial de Piracicaba, em homenagem ao 1º Centenário da Independência.

Talvez aí o seu extraordinário pendor às letras clássicas e sobretudo à Literatura Moderna.

Em 1932, diretor da Escola Modelo, anexa à Normal, era mais encontrado na Biblioteca, do que em seu gabinete.

Cunhado de Oswald de Andrade pôde alimentar com este os mais ousados diálogos sobre um universo finito e ilimitado de conhecimentos universais. Foi coroinha do Cônego Rosa (Monsenhor Manoel Francisco Rosa) e coralista da Igreja Matriz de Santo Antônio.

Em torno dele formou-se um grupo de sequiosos ouvintes, que acompanhavam as suas idéias e o seu pensamento marxista. Eram: João Chiarini, Paulo Nardin, Bruno Ferraiolli, Uacuri Bastos, Tocari Bastos, Pedro Morato Krãhenbühl, Lourdes Freindenberg, Jamile Japur, Giselda (Ranzani), Irahydes Oriani Chiarini, Pedro Morato Krãhenbühl, João Victor, Paulino Bispo Macêdo, Maximo Beduschi, Francisco Matarazzo (“Chiquinho”), Nelson de Oliveira, Sebastião Aguiar Ayres, Angelino Stella, João Egydio Adamoli etc., os quais em diferentes épocas e circunstâncias trocaram entre si intensas reformulações culturais.

Valeu-lhe esse colóquio, em 1941, um processo administrativo, dedado pelo então diretor (Lamartine Teixeira Coimbra), da Escola Normal Oficial de Piracicaba. Os Autos chegaram ao final com um belíssimo e objetivo parecer de Sud Mennucci, Diretor-Geral do Departamento de Educação, favorável ao Antônio Oswaldo Ferraz.

Foi ali que Sud leu, que em 07 de setembro daquele ano, foram queimadas, no patéo da Escola, as obras já escritas por Jorge Amado, diante de alunos e professores. Os únicos que protestaram: “Tônico” e João Chiarini.

Em 1943 lançou o “Movimento Literário”, reunião de suas crônicas. Tributamo-lhes, em 23.09.1943, um banquete em sua homenagem na “A Brasserie”, com mais de 100 intelectuais presentes.

Escreveu o “Saudação aos Pracinhas” (1945), o “Ensino Típico Rural” (1947) e “Folhas Soltas” (1949).

Foi o primeiro crítico a romper com o clã dos Dutra, apoiando João Adâmoli (1941) e Angelino Stella (1943).

De São Paulo enviava ao “Jornal de Piracicaba” o seu “Bilhete Paulistano”, informando aos leitores as últimas agitações literárias e musicais.

Conferencista, dialeta por natureza, inflexível, foi o mais avançado modernista em Piracicaba, desde o nascedoura da Semana, em 1922.

Polemista, travou contendas escritas com Moacyr Diniz (1941), com José Rodrigues de Arruda (1945), com (Fortunato) Losso Netto (1945).

Lutador pela fixação do homem ao solo, contrário a rurbanização e urbanização dele. Colaborador de a “A Gazeta”, de São Paulo (1947/1952); membro do Centro de Folclore de Piracicaba (1945), da Sociedade Brasileira de Folclore (1949), associado da Sociedade Brasileira de Escritores (1943), depois, UBE; Sócio fundador da Sociedade de Cultura Artística de Piracicaba (1925); tenente farmacêutico na Revolução Constitucionalista de 1932.

Integrou o Conselho Municipal de Cultura em os governos de Ricardo Ferraz de Arruda (1938/1940) e José Vizioli (1941/1942). Membro fundador da Academia Piracicabana de Letras e seu patrono, foi contemplado com uma Sessão Literária, em 30.07.1975 e mais recentemente foi o seu nome impresso em uma série de cem Diplomas daquela entidade.

Faleceu, já aposentado, com mais de 70 anos. Está sepultado no Cemitério da Paz (“GHETSEMANI”), em São Paulo.

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