Erotides de Campos

Erotides de Campos – piracicabano por escolha e vivência – nasceu em Cabreúva (SP).

O menino Erotides veio morar em Piracicaba, em companhia do tio, Luís da Silveira Neves, em 1908. Desde criança, sua vocação para a música despertou a atenção de professores e da família. Aos pais, músicos e muito pobres, não escapou o talento precoce do filho e Erotides, aos 8 anos de idade, já estudava piano com Francisca Júlia da Silva, poetisa de renome e pianista, ao mesmo tempo em que cursava escola municipal de Cabreúva.

Em 1905, um padre salesiano, ouvindo falar dos dons do menino, levou-o a estudar no Liceu Coração de Jesus, em São Paulo. O seu virtuosismo na flauta, apesar da tão pouca idade, surpreendeu a todos. Mas, passando as férias em Cabreúva, em 1907, Erotides foi atacado por tifo e teve que abandonar os estudos em São Paulo.

Em Piracicaba

Chegando a Piracicaba, Erotides de Campos integrou a já famosa orquestra piracicabana que se apresentava nos cines Iris e Politeama. A orquestra, entre outros, contava com a participação de Osório de Souza, Melita e Carlos Brasiliense, João Viziolli, Renato Guerrini. Participou, também, da banda União Operária.

Estudou na Escola Normal – atual “Sud Mennucci” – onde chamou a atenção do também músico Honorato Faustino, que passou a estimulá-lo. Formou-se em 1918 e foi lecionar na escola da estação de Monjolinho, em São Carlos. Conseguiu a segunda nomeação, retornando a Piracicaba onde leciona no Grupo Escolar de Tanquinho e, depois, no de Dois Córregos. Em 1921, casa-se com Maria Benedita Germano.

Por alguns anos – de 1923 a 1932 – fica em Pirassununga, atendendo a convite do então prefeito e futuro interventor de São Paulo, Fernando Costa. Mas volta a Piracicaba em 1932, nomeado como professor de Química do curso Complementar, anexo à Escola Normal. Destaca-se não apenas como professor e músico, mas, também, como homem voltado à caridade. Ele, com sua mulher Tita, é o criador do “Culto à Saudade”, que criou o costume de os vicentinos, no Dia de Finados, postarem-se à porta do cemitério, colhendo donativos para os necessitados.

A obra

São mais de 230 as composições de Erotides de Campos, entre peças editadas e não editadas. São berceuses, canções, choros, dobrados, charlestons, elegias, valsas e outras formas musicais. Suas partituras foram ilustradas por desenhistas famosos, como Belmonte, Carnicelli, Valverde e Vantik. Entre os parceiros de Erotides, quase sempre autores dos versos, estão Benedito Almeida Júnior, Elias de Mello Aires, Francisco Lagrecca, Leandro Guerrini, Nilton Almeida Mello, Silvio Aguiar Sousa, entre outros.

Usando pseudônimos, Erotides de Campos acabou sendo vítima de um grande equívoco: a sua mais famosa composição, a “Ave Maria”, foi composta com o nome de Jonas Neves, na verdade parte de seu nome, Erotides Jonas Neves de Campos. Isso lhe custou a retenção, após sua morte, dos direitos autorais pela SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais). Apenas em 1985, o jornalista Luiz Thomazi conseguiu desfazer o equívoco, permitindo, à viúva Tita, usufruir dos direitos autorais.

Entre as centenas de composições, destacam-se, além da “Ave Maria”, “Murmúrios do Piracicaba”, Alvorada de Lírios, Uma Barquinha Azul.

Erotides de Campos morreu repentinamente, em 20 de março de 1945, quando elaborava a capa do “Cancioneiro Escolar”, com músicas suas. Homem humilde, recatado, mulato, Erotides de Campos recebeu a homenagem de Piracicaba num enterro em que se revelou a comoção popular. Seu nome foi dado a uma rua da cidade, ao grupo escolar de Paraisolância e a uma sala de música o do I. E. “Sud Mennucci”. No cemitério da Saudade, foi erguido um mausoléu com as primeiras notas musicais da “Ave Maria” inscritas em mármore

Em Piracicaba, foi instituída a Semana de Erotides de Campos, que tem sido esforçadamente levada à frente pelo biógrafo de Erotides, José Carlos de Moura, engenheiro agrônomo.

( Foto e informações, do livro “Alvorada de Lírios”, de José Carlos de Moura.)

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