Leo Vaz

A Fundação Casa de Ruy Barbosa e a Editora Bom Texto reeditaram, em 2001, o livro “O Professor Jeremias”, de Leo Vaz. Na introdução da obra, escreve- se, sobre o quase esquecido escritor piracicabano: “A crítica reconheceu em Léo Vaz características machadianas pela leveza do estilo, pelo primor do vocabulário e pela ironia mordaz, que lhe valeu a fama de homem terrível. Diziam que Léo Vaz ressuscitava Machado de Assis, o Bruxo.”

Ainda que nascido em Capivari (6 de junho de 1890) Leonel Vaz de Barros (Léo Vaz) veio, com os pais, morar em Piracicaba muito cedo, com apenas dois anos de idade. Até o final de sua vida, haveria de considerar-se, ao mesmo tempo, caipira de “Caipiracicaba e de Caipivari”.

Estudou na Escola Complementar (atual “SudMennucci”), onde se formou em 1911. Em nossa cidade, fundou o jornal “Noiva da Colina”, ao lado de Breno Ferraz do Amaral, que seria seu companheiro inseparável ao longo da vida, ambos jornalistas eméritos no jornal “O Estado de São Paulo”. Em sua juventude piracicabana, foi companheiro, também, de Sud Mennucci, Thales de Andrade, Lourenço Filho, formando o poderoso grupo intelectual que, de Piracicaba, chamou a atenção do Brasil, aquele que, muito tempo depois, JMFerreira chamaria de o “Bloomsbury Caipira”.

Jornalista e escritor

Léo Vaz teve os seus primeiros trabalhos publicados pela antiga “Gazeta de Piracicaba”, onde trabalhou. Foram algumas poesias logo depois abandonadas em favor da prosa, artigos e ensaios publicados em muitos jornais do interior e, em especial, no “Jornal de Piracicaba”. O seu estilo impecável, o rigor gramatical chamaram a atenção da intelectualidade brasileira.

Estimulado por Monteiro Lobato, Léo Vaz escreveu e publicou o seu grande livro, “O Professor Jeremias”, em 1919, saudado pela crítica como obra primaliterária, editado pela Revista do Brasil. Para Monteiro Lobato, conhecido como crítico impiedoso, “O Professor Jeremias” é “um dos grandes livros da literaturabrasileira”.

Após o sucesso do romance, Léo Vaz escreveu, em 1923, um livro de contos, que ele chamava de “causos”, intitulado “Ritinha e Outros Causos”. Seria, esse segundo livro, saudado por intelectuais como Lima Barreto e Ronald de Carvalho, mas uma pausa em sua vida de escritor. Pois, tendo iniciado a sua vida jornalística em São Paulo, em 1921, passa a dedicar-se integralmente ao jornalismo. Assim, é um dos criadores da Folha da Noite, em 1921, e, em 1925, do “Diário da Noite”, com Clóvis Ribeiro. A pedido de Monteiro Lobato, tornou-se redator da “Revista do Brasil”.

Diretor de “O Estado”

Léo Vaz fez parte da chamada “geração piracicabana” do jornal “O Estado de São Paulo”, ao lado de figuras de grande expressão como Marcelino Ritter, Mário Neme, Breno Ferraz. Tornou-se homem de confiança de Amadeu Amaral e de Nestor Rangel Pestana, personalidades de proa do velho “Estadão”, tornando-se substituto imediato deles, quando ausentes.

Passando a redator-chefe do jornal, Léo Vaz acompanha os grandes conflitos das revoluções de 1930 e de 1932. E, quando Júlio de Mesquita Filho retira-se para o exílio, a responsabilidade pela direção de “O Estado de São Paulo” passa para Léo Vaz que se torna um dos ícones do centenário jornal paulista. Seu último livro foi editado pela Editora Saraiva, em 1952. Trata-se de “O Burrico Lúcio”. Segundo Adriano Nogueira (em “Registros Literários”, Scortecci Editora, 1998) foi outro sucesso de crítica, registrando o que foi assinalado pelos editores: “É um livro que nasce clássico, que deveria ser lido por toda a nação e absorvido por nosso folclore. Mais ainda: deveria servir como texto das aulas de português em nossas escolas como um exemplo de perfeição da arte literária.”

O fértil período de textos jornalísticos do escritor piracicabano está registrado no livro que conta os 30 anos de suas atividades, colhidos nas páginas do jornal “O Estado de São Paulo”. Trata-se de “Páginas vadias”, crônicas, publicadas em 1957. Foi membro de diversas academias, incluindo a Academia Paulista de Jornalismo, Cadeira nº40, para a qual foi eleito, em 2005, o jornalista também piracicabano Cecílio Elias Netto, diretor de A Província.

Léo Vaz faleceu em São Paulo no dia 5 de maio de 1973.

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