“Aedes do bem” para quem?

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Aedes_aegyptiEm relação à reportagem do último dia 31 de maio, no JP, cabe-nos tecer considerações e passar informações que as pessoas, infelizmente, não parecem possuir até agora.

Em primeiro lugar, houve sim oposição à compra e soltura dos mosquitos transgênicos, em Piracicaba. De início, pela ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) a qual se colocou contra a comercialização ou uso desse animal geneticamente modificado, em qualquer parte do país! Essa oposição veio muito bem embasada, em laudas e laudas, com argumentações científicas, legais e de senso comum, escritas pela referida ABRASCO. Foi muito divulgado o material e a Ilma Promotora Estadual da Saúde teve acesso a ele, mas desconsiderou-o, e promoveu o TAC.

Em segundo lugar o CONDEMA, Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente também, lucidamente, se opôs à medida. Promoveu seminários e audiências Públicas, mas o MP nem sequer esperou que as mesmas terminassem. O TAC foi assinado pela manhã e houve uma audiência `a noite, a última e no mesmo dia, inclusive com a presença do biólogo da CTNBIO, Dr. José Maria Gusman Ferraz, que se colocou e se coloca  fortemente contra o uso do mosquito transgênico. Este técnico tem sido chamado por redes internacionais de televisão e tem salientado, em entrevistas, a situação lamentável ocorrida em Piracicaba, em sua opinião profissional.


Em terceiro lugar, após ter sido assinado o infeliz TAC, a SODEMAP, ONG ambientalista que há mais de trinta anos luta pelo meio ambiente da cidade, assessorada por uma advogada também militante contra o Aedes geneticamente modificado, enviou a São Paulo, juntamente com o TAC a ser homologado (e foi!), um recurso de oposição à soltura. Esse recurso está ainda para ser julgado em segunda instância…


Em quarto lugar, a SODEMAP e integrantes de um grupo de oposição ao MT, conscientes de que a soltura deste mosquito pode trazer efeitos negativos para o ambiente e para a população, e baseando-se no  Princípio da Precaução do qual o Brasil é signatário, protocolizaram, junto ao Ministério Público Federal de Meio Ambiente, representação para que a suspensão imediata das solturas.


Tais colocações as fazemos para que os fatos sejam postos integralmente para aqueles que deles não sabem, para os que gostariam de saber dos mesmos e para quem não deveria, de modo algum, desconhecê-los. Enfim, a bem da verdade.

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