Bola pra frente…

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isEsta é uma expressão muito usual entre todos nós. Costumamos dizer “bola pra frente”, quando nos referimos ao contínuo ritmo das coisas que devem prosseguir, apesar dos pesares.

O final da Copa foi trágico e amargo para a seleção brasileira? Pode até ter sido, mas deixou suas lições de que, em qualquer atividade ou profissão, é importante estar preparado, treinado, apto, capaz.

Vimos, praticamente, a decadência do nosso futebol. Aquele futebol brasileiro que um dia encantou o mundo parece não existir mais. Contudo, pode ressuscitar, se houver gente disposta a apostar nele.

Há de ser um árduo trabalho técnico e talvez tenha de ser abolida esta convocação às pressas e às cegas, chamando zagueiros longínquos; um atacante que jogou bem o último campeonato europeu ou um volante que se destacou lá fora e chamou a atenção do treinador.

Ah, quantos lamentos por causa desta perda, desta derrota memorável no Mundial de 2014! Sim, jamais a esqueceremos. Não foi uma queda honrosa, digna, porque o placar nos levou, além da vergonha, a um estado de terror onírico. Não parecia realidade, não era verdade. Aquilo foi um pesadelo que passou por nossas vidas. A ponto de um torcedor, enfurecido, ter jogado a sua tevê de 42 polegadasna rua, malhando-a no chão… Que culpa tinha ela?

Uns dizem que se a Copa tivesse sido na Cochinchina, não teria doído tanto. A dor maior se deveu ao fato de sermos os anfitriões, os donos da casa. E ainda por cima, oferecendo aos visitantes as deslumbrantes arenas para que um estrangeiro lançasse mão à taça.

Ouvimos o tempo todo: “Graças a Deus, não foram os argentinos”. Confesso que nada tenho contra esse povo irmão, que veio para cá aos milhares durante a Copa, fazendo rasgados elogios ao nosso amado país.

Sim, bola pra frente. Se até para o Felipão “a vida continua”, por que não haverá de continuar para nós, pobres mortais, que não somos chamados para fazer aqueles comerciais engraçadinhos no avião?

Um comentarista (foi o Neto?) afirmou que o técnico fez comerciais demais e esqueceu de treinar a seleção. Enquanto ele filmava, os alemães trocavam os passes geniais no gramado construído em Cabrália, com o sol a pino.

Bola pra frente. Há tanta coisa para acontecer neste país. Vêm aí as eleições, estamos num ano eleitoral e  nossas expectativas são as de que sejam feitas profundas mudanças, a começar pela tão cobrada reforma política, reforma de um sistema também decadente e viciado.

Quem deverá governar o país? Em quem depositaremos nossas esperanças? O povo brasileiro, agora um tanto ferido em seu orgulho nacional, deseja erguer a cabeça, revestido de dignidade, direitos, justiça, qualidade de vida, sobretudo aos aposentados e pessoas de baixa renda da nossa população.

O que nos espera? Só Deus sabe e talvez os oráculos de plantão, aqueles que nem sempre nos respondem com a verdade. De agora em diante, só com muita reza e água benta. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, rogai por nós!

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