Vampirizando o Piracicaba

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É deprimente como tudo aqui acontece ao redor do rio. Não um acontecer harmônico, belo, respeitoso. Todos querem se aproveitar de alguma forma da paisagem do Piracicaba. Eventos mil, exaustivamente. Semana sim, noutra também, sexta, sábado, domingo. Mês após mês, ano após ano. Festa disso, festa daquilo, comemoração daquilo outro. Campeonato X, Y, Z, na área de lazer e imediações.  Até helicóptero, para voos panorâmicos, saia de um campo de futebol na beira do rio. Irregular e perigosamente é certo; cobrava-se uma baba.  Tudo sempre com muito barulho.  O terceiro mundo não concebe alegria sem arruaça, sem sons muito altos, atormentadores. E não me venham dizer que reclamar disso seja preconceito de classe média!   Em qualquer consultazinha básica à internet e a sites ou livros de saúde, fica-se sabendo da nocividade dos ruídos (ruído é qualquer som acima de determinado número de decibéis), para os humanos e os bichos.

Ademais, porque não existem parques amplos e dignos do nome, com estrutura, proteção, cuidado e vigilância, em muitos outros bairros da cidade?

Muito poucos desejam manter limpo esse rio, bem como suas imediações, ao contrário, ou lutam pela mata ciliar, por suas águas, margens, aves, flora. Há sim lixo por todo lado. Ganha-se grana com o Piracicaba. Uma ponte horrenda construída ali; comerciantes gravitam a seu redor; busca-se lazer e diversão mas de modo predador, egoísta. Eventos, bares, tendas, barracas iluminadas, sempre com os sons abusivos, conforme mencionado.

Em relação aos ruídos, o mais engraçado é que o próprio pelotão ambiental teria o poder de aplicar multas se tivesse um simples aparelho para medir decibéis, chamado decibilímetro. Alguns guardas até têm cursos para o uso do mesmo, mas… cadê o aparelho? Havia, ao menos, um perito de plantão, com o dispositivo, aos finais de semana; mas já não há… Então, nenhuma autoridade o pelotão ambiental tem. Pode apenas sair mendigando “por favor” que se abaixem os sons abusivos. Tudo feito para dificultar a vida dos cidadãos. Alô, alô, prefeitura! Alô SEDEMA!

Após anos e anos de queixas ao Ministério Público Estadual sobre o assunto barulho, só recentemente (pasmem!) alguma coisa foi concluída, mas com pouco resultado prático, para tristeza e desespero de muitos e também da Sra. S, uma simpática e combativa idosa, nascida em São Pedro mas que residiu em São Paulo por anos. Ao aposentar-se e enviuvar, achou que a cidade de Piracicaba seria ideal para ela. Na sua ignorância, mudou-se para um pequeno apartamento, muito bem posicionado para receber toda a onda de barulhos contínuos daquela região. Está quase louca, se bem que não sozinha. Coitada! Achava que ouviria moda de viola por essas terras, e não que a região do rio tivesse hordas hostis gravitando ao seu redor.

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