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Suelto

Segredo da carne de língua

Carochinhas, assim eram chamadas, antigamente, as velhas contadoras de histórias, tidas, também, como bruxas. É delas que nos chegaram fantasias, lendas, fábulas, forjando, com sonhos e devaneios, a imaginação coletiva dos povos.  “Contos das velhas” tornaram-se conhecidos como “contos de fadas”.     Desde, pois, os mais remotos tempos, existe esse universo da imaginação humana mostrando o mundo como um espaço mágico, onde se pode inventar. Bichos falavam, pessoas voavam, moças humildes casavam-se com príncipes encantados. O próprio mal era mais claramente identificado, incorporado no lobo, na raposa, na serpente, em demônios que enfrentavam anjos.

Nos contos de fada, o mito vive sob forma de encantamento. Heróis e bandidos, prêmios e castigos, como versões profanas dos narrados em livros religiosos. O mistério continua e o sonho permanece, mesmo que com outras roupagens.  A esse respeito, bela ilustração vem-nos do Quênia. No reino do sultão, havia um homem muito pobre cuja mulher, no entanto, era feliz, alegre.  No palácio, porém,  a sultana, com todas as  riquezas, definhava, infeliz.

Intrigado, o sultão quis saber o segredo o casal plebeu. O homem respondeu: “Eu a alimento com carne de língua.” E o sultão ordenou fosse adquirida toda a carne de língua do reino, de boi, de carneiro. Mas a sultana continuou a definhar.  Desesperado, o sultão, com seu poder sobre tudo e todos, mandou trocar a sultana pela mulher pobrezinha.  E ela, em pouquíssimo tempo, tornou-se bela e feliz. Mas, no palácio, a pobrezinha começou a definhar.

O sultão, enfim, entendeu:  “carne de língua” – criadora de pessoas felizes – eram os contos de fadas. Contando histórias, espantava-se o silêncio, afugentava-se a melancolia. Era o amor transmitido pela linguagem. E se, aos jovens e crianças, déssemos mais “carne de língua” ?

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Uma resposta para Segredo da carne de língua

  1. Laerte Vargas 04/07/2017 às 11:28 #

    Os contos são verdadeiros mananciais de conhecimento e transformação. Que vivam para sempre eternizados nas vozes dos contadores de histórias…

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