Aécio: ingênuo, inocente útil ou conivente?

Aécio NevesSempre tive simpatia por Aécio Neves. Especialmente por –  sendo neto de Tancredo Neves e seu secretário pessoal –  Aécio receber, como que por osmose, o carinho que se nutria por seu avô. Além do mais, era e é um homem bonito, simpático, afável, “bom vivant”, um mineiro mais carioca do que muitos cariocas.

O que ficou chato para Aécio – mas que faz parte de sua vida alegremente boêmia – foi ter cassada  sua carta de habilitação de motorista, por se recusar a fazer o teste do bafômetro. Isso acontece, especialmente em noites de boêmia. Mas deu margem a que seus adversários políticos passassem a comentar: “Se está proibido de dirigir um automóvel, como irá dirigir o Brasil?” Os que o conhecem, porém, não se incomodam. Pois Aécio tem, sempre, sua irmã ao lado. E é ela quem governa tudo, seja na vida pessoal, seja na vida pública do simpático mancebo.

Como todo bom político mineiro, Aécio Neves é indecifrável. Nunca revela, realmente, o que pensa. Ou se pensa. Vai levando ou deixando-se levar, pelo menos aparentemente. Pois político mineiro, insisto, é um mistério. Sempre simpáticos, habilidosos, especialistas em ficar “em cima do muro”. Aécio fez isso com sua pré-candidatura à Presidência da República. Não a reivindicou, não enfrentou José Serra. Deixou, mineiramente, acontecer. Foi levando e deixou-se levar. Como candidato a candidato, mantém a simpatia na expectativa de que a forma dispense o conteúdo.

Isso deveria ser preocupante. Mas não é. A “imprensa grande” – pois a “grande imprensa” está nos pequenos e bravos veículos – anda desesperada, não sabendo o que fazer com o “Mensalão Tucano”, que vem explodindo há muito tempo especialmente nas Minas Gerais de Aécio Neves, como na São Paulo do “tucanato imperial”. Essa imprensa não fala que políticos estão envolvidos, nem que há corrupção sórdida. Usa eufemismos: cartel, agentes públicos. E fingem esquecer-se do escarcéu que promoveu quando se revelaram as mazelas do PT. O jogo é simples de entender: destruir o PT, promover o PSDB. Mas esqueceram de, como diria o Garrincha, de “consultar o outro”. No caso, o povo.

De minha parte, mesmo simpático a Aécio – sem que ele venha a ter meu voto – entro naquela fase da “dúvida cruel”: quem é a esfinge Aécio? E isso me assalta desde que soube ter aceitado, em seu comitê eleitoral, os srs.Barjas Negri e ACM Thame. Será que Aécio os conhece realmente? Será que sabe da história, do passado e do presente das duas figuras? Ou eles foram impostos a Aécio por seus dotes especiais de esperteza e de experiências macabras em eleições?

Não quero entrar em detalhes sobre o comportamento político desses dois personagens. De Thame, curto a penitência de ter sido, eu, um de seus inventores na política. Se o inferno existe, já estou condenado às chamas eternas pelo mal que cometi. Quanto a Barjas, eu já o denunciava – sem negar-lhe a capacidade gestora – desde o tempo em que foi secretário de João Hermann Neto, lá se vão 40 anos! Ele se aperfeiçoou na esperteza. E ambos, na arte da dissimulação.

O que me espanta é Aécio não saber – por ingenuidade, por conveniência ou por ser inocente útil – que Barjas e Thames, ambos líderes tucanos, são, históricamente, também os maiores censores de Piracicaba. Enquanto o PSDB, em nível nacional, fica rezando sua missa em defesa da liberdade de imprensa e da democracia, Barjas e Thame carregam, na suas histórias mal contadas, a vergonhosa realidade de terem sido os únicos políticos – na história moderna de Piracicaba – a censurarem a imprensa local.

Thame proibiu que a Tribuna Piracicabana publicasse uma gravação em que ele, com um de seus secretários, dava vivas por receber dinheiro de um empresário, como contribuição de campanha. E mandou a polícia proibir a circulação do jornal O Democrata que iria divulgar a mesma denuncia, impedindo sua tiragem fosse às ruas. Barjas Negri censurou o Jornal de Piracicaba, proibindo-o de publicar artigos meus sobre política na sua primeira eleição a prefeito. Seu argumento: “Se ele escrever, eu perco as eleições.” Ora, que grande poder ele concedeu a um mero escrevinhador de aldeia! Que, no entanto, sabia de sua ação deletéria.

A pré-candidatura de Aécio Neves nasce, pois, maculada pela presença de dois políticos – cá de Piracicaba, quem diria? – cuja história é lastimável. E que, acima de tudo, são defensores da censura tirânica, para que o povo não saiba de suas traquinagens. Aécio: ingênuo, inocente útil ou conivente? Pena que político mineiro nunca se revele. Bom dia.

3 comentários

  1. Jairo Teixeira Mendes Abrahão em 24/01/2014 às 14:10

    Cecilio, querido amigo.
    Cumprimento-o pelo artigo sobre Aécio, ou seria sobre os dois piracicabanos? Barjas, como diria o Prof. Eduardo Augusto Salgado, “Não conheço o inseto, mas sei que é de péssima crônica.” Agora, o Thame conheço bem! Aliás. foi meu aluno na ESALQ. Sobre ele tenho uma dúvida cruel: tenho uma cópia da “Lista de Furnas” onde aparece, entre os Deputados Federais do PSDB de São Paulo que receberam dinheiro, o nome Antonio Carlos Mendes. Não encontrei, em minhas pesquisas, nenhum Deputado Federal do PSDB de São Paulo com esse nome! Seria o piracicabano???? Se você ou alguem puder dirimir tal dívida, por favor, me informe.
    Um grande abraço do admirador amigo.

    Jairo Teixeira Mendes Abrahão

  2. Delza Frare Chamma em 24/01/2014 às 19:49

    Parabéns, Cecílio! Você disse tudo, e, com uma precisão cirúrgica, sobre quem é o “simpático” Aécio Neves. Esse senhor que quer dirigir o Brasil, mas sequer consegue escolher pessoas que não sejam duvidosas para sua companhia e o pior, para acompanhá-lo em sua tentativa de poder. Seja por ingenuidade, conveniência ou por se deixar conduzir como um inocente útil, certamente não é o político que nosso País merece “sofrer” na presidência. Felicitamos o autor por traduzir tão bem o que sente o brasileiro que deseja ver seu país avançar mais e mais em sua caminhada democrática.

  3. Antonio em 27/01/2014 às 18:29

    “Aécio, faça no Brasil o que você fez em Minas”, li num jornal reproduzindo fala de seus seguidores. Deus nos livre e guarde de tamanha desgraça. O que tem de mineiro aqui em Piracicaba, por exemplo, que veio atrás de tratamento para a saúde, casa, escola, trabalho e demais serviços é de assustar. E tem mineiro que é atendido muito antes que piracicabano, porque chega no pó da rabiola. Tem também um mineiro que é vereador há trinta anos. Enricou-se aqui. Se Aécio fez isso com seu povo, imaginem no Brtasil. Chô Aécio.

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