Doenças e receitas.

Encontramo-nos, certa vez, em uma reunião social. Tínhamos sido amigos quando éramos jovens. Continuamos amigos. Então, olhamo-nos, conversando. Um disse: “estou mal de pressão”. O outro respondeu: “o meu problema é a próstata”. O terceiro falou: “O meu é o colesterol e o diabetes.” Um deles replicou: “Isso tudo não é nada, eu estou com reumatismo.” Finalmente, o mais velho dos amigos acenou com um rasgo de esperança: “É que vocês ainda estão nos 50 anos, menopausa do homem. Depois dos 60, tudo entra nos eixos novamente, a gente fica ótimo.” O que estava com problema de próstata resmungou: “Depois dos 60, e, daí, de que adianta?”

Na verdade, todos trocaram informações sobre remédios, médicos, chás, cápsulas, raízes. A mais comentada foi a cápsula de marapuama, que alguém disse fazer milagres. Outros recomendaram o uso de pó-de-guaraná, com algumas cápsulas de alho. Aprendi, por exemplo, que é ótimo tomar chá de maracujá bem quentinho antes de dormir. Muito embora houvesse, entre os amigos, os que preferissem chá de carqueja.

Um deles estava com olho-de-peixe na sola dos pés. Foi contar o fato para que um outro se interessasse: “tenho um que está começando, o que é bom pra curar?” O dono do olho-de-peixe não teve dúvidas em receitar: “Pomada de tuia com vaselina.”

Um asmático perguntou se alguém sabia alguma receita boa para o seu mal. Obviamente, havia quem a tivesse, explicando: “Meu médico disse que estou com começo de asma. Bom mesmo é mel com própolis”. O asmático anotou, com a caneta, no talão de cheque. Mas o outro completou: “anote aí, o mel tem que ser de eucalipto.”

Depois, a conversa passou para a família. Houve muxosos. Então, um dos homens sorriu: “Vocês sabem que eu já tenho cinco netos, que minha neta mais velha está para ingressar na Faculdade?” Ah! a conversa mudou: de doenças, de males, de remédios, o assunto se tornou alegre, de cada um falando de seu neto. Alguém quis encerrar a noite com um chopinho, num daqueles bares de antigamente. Um olhou para os olhos dos outros, todos se entreolharam. “Sabe?” – falou um deles. “É melhor deixar para outra noite, eu estou com o fígado meio atrapalhado”.

Foi a deixa para outro dar opinião: “Fígado? Ainda bem que o seu é o fígado; comigo é a vesícula”. Então, a conversa retomou o ponto de partida.

Lá estávamos nós, que tínhamos sido jovens e que amávamos os Beatles e os Rolling’s Stones.Então começou a ventar, e todos foram-se embora.

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