E brota uma nova Unimep

Não me cansarei de repetir que a UNIMEP é sonho quase secular de Piracicaba, uma realidade que se consolidou, apesar de quase sempre ameaçada por tufões de fúria, de incompreensões, de lutas internas, de facções religiosas. Pois Piracicaba sonhou e realizou esse pioneirismo do conhecimento no dia 25 de agosto de 1910, quando aqui se criou a Universidade Popular. Era o sonho, a ambição, a vocação de um povo para a cultura, o conhecimento em nível ainda mais amplo. Intelectuais do porte de Antônio Pinto de Almeida Ferraz, Sebastião Nogueira de Lima, Sud Mennucci, Thales de Andrade, Leo Vaz, além de notáveis artistas como Fabiano Losano, Erotides de Campos participaram da grande aventura, do plantio de uma semente que ficou na alma do povo. A partir daí, tornar-nos-íamos O Ateneu, a Atenas Paulista, a Florença Brasileira, a Pérola dos Paulistas. E, depois, com as grandes conquistas esportivas, a Esparta Paulista

No início dos 1960, o deputado Domingos José Aldrovandi, com o apoio do também deputado Salgot Castillon, apresentou um projeto, aprovado pela Assembléia Legislativa, criando a Universidade Luiz de Queiroz. A proposta objetivava transformar a Escola Superior de Agricultura numa grande universidade, a segunda de São Paulo, após a USP. Por questões políticas e pelo carisma da USP, o projeto, mesmo aprovado, não se consumou. Mas o sonho continuou.

Por isso, quando, no Colégio Piracicabano – realização ímpar de Martha Watts – surgiu, com o reverendo Chrysantho César, o desafio de se criar faculdades metodistas, sementes de um centro universitário, Piracicaba se mobilizou, se uniu, realimentando o sonho da universidade piracicabana. No dia 1º de abril de 1964, realizaram-se os exames vestibulares para o ingresso na ECA, faculdades de economia, administração e contabilidade, o marco inicial da UNIMEP. E comércio, indústria, clubes de serviço, entidades, empresários, toda a comunidade piracicabana se uniu para concretizar o sonho que teve a vitória espetacular com o dr.Richard Senn, com quem surgiu a UNIMEP, e os reitores que o seguiram, consolidando-a: Elias Boaventura, Almir Maia, Gustavo Alvim. Ninguém poderia supor o advento dos cavaleiros do apocalipse, liderados exatamente – “et pour cause”? – por um piracicabano nato, Davi Ferreira Barros, desencadeando momentos amargos, negros, demolidores.

Ora, temporais, furacões, vendavais, tsunamis derrubam edifícios, matam pessoas, causam devastação, mas não conseguem matar, nos sobreviventes, a força vital, que está em nível espiritual. Vendavais apenas matam árvores quando lhes arrancam as raízes. Sobrando a raiz, que é o princípio vital, a árvore ressurge como plantinha que, renovada, retoma a vocação de se tornar frondosa.

Aconteceu e acontece com a UNIMEP, motivo porque devemos todos nós, piracicabanos, render graças. A chegada quase silenciosa, recatada, honesta do atual reitor, prof. Clóvis Pinto de Castro, foi recebida com respeito de expectativa. Temia-se que Davi Barros tivesse matado a alma da universidade, a raiz, o espírito. Mas nem as bestas do apocalipse conseguirão fazê-lo no fim dos tempos, pois o espírito, a força da alma sobrevivem à violência. A UNIMEP foi ferida, ferimentos quase mortais. Mas o espírito se revelou ainda mais forte e verdadeiro do que se supunha, na luta de professores, de funcionários, de alunos e ex-alunos, de setores mais lúcidos da Igreja Metodista. E, também, um sentimento vivo em lideranças de Piracicaba que estão sabendo honrar um passado, referencial do caráter e dignidade desta cidade.

Os primeiros sinais – alvissareiros e reveladores – de renascimento começam a surgir com o retorno ao respeito, à dignidade, ao caráter sagrado da vida universitária, evidência que avulta nessa relação honesta entre o novo Reitor, Clóvis Pinto de Castro, funcionários, professores e alunos. Há uma nova UNIMEP nascendo. Com nova folhagem, com novos galhos, com novas flores e também ainda frescos frutos, mas com a raiz do idealismo intacta. Tomara a autonomia da universidade tenha, também, sido resgatada, para o pluralismo aflorar ainda mais forte, sem se deixar atingir por sectarismos que, em alguns setores metodistas, impedem a convivência ecumênica com a Igreja Católica. Se houver respingos na universidade, ela será atingida no espírito.

O formidável é que um grito novo já ecoa em Piracicaba, uma mensagem alvissareira que aparece nos vidros de automóveis, em cadernos de estudantes, em camisetas: “Sou UNIMEP” . Nossa brava gente piracicabana está preparada para anunciar junto: “Piracicaba é UNIMEP”. Depois do vendaval, a reconstrução. Com sinais promissores de vida longa e segura, dados o arrojo e a dimensão de novos projetos e realizações. Bom dia.

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