A orfandade da Rua do Porto.

Irei, até o fim, insistir na frase que ficou inscrita numa pedra da Rua do Porto: é a nossa pia batismal, “jardim à beira rio plantado”. Ou deveria ser. Pois a Rua do Porto é a síntese histórica de Piracicaba, apesar de tantos que nunca souberam valorizá-la. Agora, quando, ainda outra vez, se fala em dar continuidade à revitalização daquela área, seria bom lembrar que não há mais que se fazer projetos ou se alterar os que já estão elaborados após estudos minuciosos, ingentes e sérios.

Não se sabe, na verdade, o que pretende o arquiteto João Chaddad, um dos maiores conhecedores do urbanismo piracicabano. Pois, querendo imprimir a sua marca pessoal, João Chaddad corre o risco de impor uma concepção de Rua do Porto que foge a todos os estudos já feitos, incluindo os antropológicos, como os elaborados no “Projeto Beira Rio”, que deu início ao “start” abandonado pela atual administração.

A Rua do Porto somente será revitalizada, tornando-se o umbigo vital de Piracicaba como área de lazer, turística e de memória se tiver um estatuto próprio. A tentativa de entregar a administração aos proprietários do local foi infeliz, mesmo porque interesses comerciais nem sempre combinam com a visão histórica. Não há fiscalização, não há serviços especializados, ficando-se num amadorismo lastimável que impede os piracicabanos freqüentem o local com tranqüilidade e confiança. Há duas circunstâncias críticas: antigos proprietários de bares e restaurantes não se atualizam, permanecendo com serviços e atendimentos precários; novos proprietários, mais jovens e dinâmicos, não avaliam a importância histórica do local.

O vereador Gustavo Herrmann, presidente da Câmara Municipal, tem estado atento a essa orfandade da Rua do Porto, podendo mobilizar os seus pares na Câmara Municipal para mobilizar Piracicaba em torno de sua “rua mater”. Apenas fazer a segunda parte de um projeto que já está desfigurado não resolve nada. Pode, pelo contrário, conter interesses políticos menores. A Rua do Porto sofre de orfandade, mesmo sendo mãe de todo um povo. A questão é séria demais para estar entregue a uma administração apenas política.

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