Analisando o esclarecimento

Golpes de Estado, grandes negociações financeiras, investigações que podem levar a uma onda de prisões têm como base a confidencialidade de suas ações. É impossível que cheguem a bom termo se, de alguma forma, seus objetivos, seu conteúdo seja de conhecimento público ou até mesmo de um grupo um pouco maior do que aqueles que apenas manuseiam as decisões.

Não é muito difícil se concluir o porquê. Informações, quando trazidas a público geram reações. Especialmente quando envolvem interesses que contrariam diretamente comunidades, pessoas acostumadas a defender seus interesses, suas idéias, sonhos.

Assim, não deixa de ser conveniente se perguntar: se a reação não tivesse se antecipado, e começado a acontecer de maneira clara e forte nessas últimas horas com relação à defesa da UNIMEP e do Colégio Piracicabano, a Direção do IEP teria se manifestado? Teria admitido o que até agora havia negado, inclusive em reuniões da estrutura formal da Universidade, de que os estudos existiam no sentido de se alijar o Colégio Piracicabano da estrutura do Instituto Educacional Piracicabano? Pior: ao tentar responder a um movimento cuja força certamente terá assustado àqueles que detem o poder formal e imaginaram agir sem ter que dar satisfações a ninguém de Piracicaba e região, apenas confirmaram as piores suspeitas – a ameaça também se estende à UNIMEP. Basta conferir no texto do próprio esclarecimento distribuído pela Direção Geral do IEP: depois de informar que uma nova mantenedora aglutinará o Colégio Piracicabano e os colégios metodistas de Lins, Birigui e Ribeirão Preto, acrescenta: “quanto ao ensino superior, ficou decidido que o IEP continua como mantenedor dos cursos de nível superior oferecidos pela UNIMEP nos municípios de Piracicaba, Santa Bárbara D’Oeste e Lins, portanto, não procede a informação de que ele será extinto”. Ora, se ficou decidido, é porque houve a discussão anterior sobre o que deveria ocorrer com o IEP. As ameaças são mais do que claras. Piracicaba e região, felizmente acordam e devem, nos próximos dias, se mobilizar de maneira mais efetiva contra o que está ocorrendo. O manifesto distribuído pelas representações dos professores, funcionários e estudantes da UNIMEP e do Colégio Piracicabano é apenas o primeiro grito.

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