Cidadão Kane e Virgínia Woolf

A semana se encerra com uma onda de boataria e de comentários nas redações dos meios de comunicação de Piracicaba. Há questões quase certas, mas não confirmadas, pois as fontes procuradas simplesmente se recusam a dar informações. Trata-se das negociações entre, senão empresas em si, pessoas ligadas a dois jornais impressos de Piracicaba, o velho “Jornal de Piracicaba”, a caçula, “A Gazeta de Piracicaba”, de propriedade da RAC, de Campinas.

Pouco importa, agora, quem está negociando o quê com quem. Empresas ou pessoas têm todo e amplo direito de, entre si, fazerem negócios dentro e conforme a lei, até mesmo e quando se questionam – pela importância social das comunicações – os interesses da comunidade e o direito à informação livre e descompromissada. Os tempos são outros, especialmente no universo da informação. Tão outros que liquidaram e sepultaram, de vez, antigos temores, como, por exemplo, os do monopólio da informação pela concentração de empresas na área. Ora, hoje, uma só pessoa pode ter, dentro da lei, quantos jornais e rádios e emissoras de tevê puder ou conseguir, veja-se o que ocorre com o soi-disant bispo Edir Macedo. A informação, especialmente na área impressa, passou a ser – ironicamente, como foi no nascimento do jornalismo mundial – uma questão de credibilidade de opinião, de honestidade de informação e não mais – como ocorreu em ditaduras e tiranias – o domínio do veículo.

A internet rompeu todas as barreiras e, ainda agora, não se consegue dimensionar a sua força de expansão, a rapidez e o alcance da informação e dos contatos. Mais ainda: a internet liberou opiniões de forma até mesmo perigosa, dado o perigo da irresponsabilidade, mas permitindo que um homem com idéias possa manifesta-la livremente e faze-la circular universalmente. Ninguém mais pode alegar, a partir da internet, estar subordinado ou pressionado pelo poder econômico. E nenhum poder econômico ou ambição desmedida conseguirão, mais, estabelecer qualquer monopólio de informação, de divulgação ou até mesmo de publicidade comercial. Exclusivismos acabaram, tiranias soçobram, não há mais vez, espaço, lugar ou tempo para monopólios seja lá do que for.

Por isso, a falta de informações a respeito de quem está comprando o quê de quem de veículos impressos, incluindo uma que outra emissora de rádio, não tem mais importância. São negócios que, se legitimo, não passam de negócios. Passou-se o tempo em que se temia a ambição de um “Cidadão Kane”. Ou que, então, se perguntava a respeito de “quem tem medo de Virginia Woolf”.

 

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