E os otários, quem são?

Máfia dos bingos, máfia da ambulância, máfia dos sanguessugas, máfia do apito e, agora e por enquanto, máfia das casinhas. E, em quase todas elas, citam-se Barjas Negri, amigos, parentes, assessores, numa alarmante abertura da caixa preta de corrupções que, pelo visto, têm ramificações cada vez mais amplas. A Câmara de Vereadores de Piracicaba, não seja por um ou outro vereador, parece estar assistindo passivamente, impávida ao desenrolar de denúncias que, segundo a assessoria de imprensa do Prefeito, são feitas já visando o próximo ano eleitoral. Ou seja: não há corrupção; o irmão do prefeito, já denunciado outras vezes, nada faz e nada fez; o secretário Godoy é gravado pelo poder público em conversa suspeita e isso é politiquice municipal; assessores do prefeito estão envolvidos e isso é politicagem dos adversários, pobres adversários que mal existem em Piracicaba, a oposição quase toda ela cooptada pela sedução do poder, basta ver a lastimável adesão do sindicalista José Luiz Ribeiro, cada vez mais atrapalhado para explicar-se quanto à sua opção em favor do nebuloso.

Ora, parte da imprensa de Piracicaba – e insistimos: parte – apenas tem reproduzido o que os grandes veículos de comunicação nacionais estão divulgando. E lá estão rastros de Barjas Negri, como se ele deixasse marcas por onde passasse, de tal forma que, aqui mesmo na Prefeitura de Piracicaba, alguns empresários envolvidos em escândalos nacionais, continuam prestando serviços aqui. Impavidamente.

Pois bem. O assessor de imprensa do Prefeito – aliás, que se declarou um dos financiadores da campanha eleitoral do seu chefe – diz tratar-se de campanha política visando o próximo ano eleitoral. Para qual ou quais otários ele está falando? Ou, mesmo no olho do furacão, não aprende a respeitar a inteligência alheia? Pois foi a Globo, no Bom dia, Brasil, quem divulgou por primeiro o esquema no CDHU, com imagens dramáticas de funcionários levados presos pela Polícia Federal, conversas gravadas de Walter Godoy, secretário municipal do Prefeito, com personagens da corrupção, envolvendo também o irmão de Barjas Negri, Arnaldo. Outra vez, o mesmo personagem. E os jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, mostrando, ainda outra vez, personagens piracicabanas no mundo tenebroso da corrupção.

Então, a Globo está inventando coisas para cuidar das eleições municipais em Piracicaba no próximo ano, é isso? Segundo o homem de comunicação do Prefeito, é. Para ele, somos todos otários, da mesma forma como Barjas Negri continua contando com a estupidez da população para nada explicar. Aliás, como estão as obras de Abel Pereira em Piracicaba? E como vai a Secretária da Educação, plagiando livros com dinheiro do FUNDEF? E outros que acompanham o prefeito por onde ele passa e onde ele tem deixado rastros, seus ou de companheiros?

A situação está tão grave e dramática que há empresários já com medo de parcerias com a Prefeitura, de proximidades com o prefeito e assessores, receosos de por antecipação, se tornarem suspeitos de pertencer a alguma máfia por aí. A “Máfia das Casinhas” é apenas mais uma. E por enquanto. E não há assessor de imprensa, por mais disponível seja, capaz de transformar em bando de otários toda uma população. Quem diria, a Globo a serviço da politicagem em Piracicaba, preocupada em alinhavar astros, vínculos, denúncias e suspeitas em relação ao prefeito Barjas Negri, já famoso, no passado, por seu envolvimento em questões nem sempre claras? Há limites até mesmo para abusar da inteligência coletiva.

Piracicaba, pois, está ficando cada vez mais famosa por envolvimento de políticos e empresários que, agora, vão além do município, alcançando o patamar de líderes de máfias de corrupção. O dossiê dos envolvimentos dos Irmãos Negri é cada vez mais denso. E alarmante.

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