Quem tem medo de Elena Ferrante?

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Editora Intrínseca

Elena Ferrante virou um caso especial na literatura de hoje. Primeiro por conta de sua tetralogia de Nápoles (A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida), romances que ultrapassaram a fronteira da Itália e fizeram enorme sucesso em todo o mundo. Inclusive no Brasil. A Filha Perdida (Editora Intrínseca, 176 páginas, R$ 34,90) é mais uma mostra de seu talento.

Mas o grande lance é que, num mundo em que se cultiva cada vez mais a exposição, Elena Ferrante é um nome fictício de uma autora real que não quer aparecer. Isso mesmo, não se sabe de verdade quem é ela. Não se trata de uma reclusa, alguém como J.D. Salinger, de O Apanhador do Campo de Centeio. É uma pessoa que só quer escrever, sem aparecer.

Enquanto não se sabe quem é ela (e jornalistas italianos tem feito de tudo para desvendar o mistério), a saída é apreciar sua prosa interessante e original. Em A Filha Perdida, a autora conta a história de Leda, professora universitária que vai passar uns dias de férias numa cidade litorânea. A personagem principal tem vários dilemas: as duas filhas na faixa dos 20 anos moram com o pai, de quem se separou, no Canadá. E houve um tempo em que ela se afastou das meninas, “por não dar conta” da maternidade. Leda não idealiza nada e às vezes soa fria. Ou infantil, como ao conhecer uma família na praia e roubar a boneca da garota de três anos, por puro deleite. É uma personagem contraditora, por isso real. Assim como a autora, apesar de ela se esconder no anonimato.

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