A tese acompanhada por Ruth Cardoso

Aconteceu nos anos 70. Como professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, Ruth Cardoso – que se tornaria anos depois, primeira dama do país quando Fernando Henrique chegou ao poder – orientou dissertação de mestrado apresentada por Maria de Lurdes Scarfon sobre Piracicaba, mais especificamente sobre a chamada população marginal então existente no município. Como distingue a própria Ruth Cardoso, tratou-se de uma pesquisa que “procurou limitar e situar o problema da pobreza investigando a fundo suas formas de perpetuação”, apresentando “as condições de desenvolvimento da economia do açúcar e a industrialização dela dependente que perpetuam a presença de uma população carente composta de trabalhadores intermitentes”.

A pesquisadora trabalhou com um grupo específico de famílias, dependente dos trabalhos sazonais oferecidos pela agricultura canavieira e também da produção industrial decorrente da cana, para chegar ao impressionante número de que, em 1970, cerca de 8 mil famílias em Piracicaba nestas condições eram auxiliadas mensalmente por entidades assistenciais com roupas, alimentos, remédios, etc. Representavam, então, cerca de 29% da população, vivendo em condições de miserabilidade numa região apontada como economicamente próspera. Em suas conclusões, Maria de Lourdes apresentou números também surpreendentes: destas 8 mil famílias atendidas, 36% dos homens trabalhavam apenas parte do ano, índice que subia para 39% entre mulheres.

Especificamente entre aqueles que labutavam na área rural, 78% dos homens tinham emprego o ano todos, mas apenas 17% das mulheres conseguiam essa estabilidade.

 

 

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