Erotismo piracicabano em fins do século 19

Não se conhece o autor da crônica. Supõe-se seja, pelo estilo, de Antônio Pinto Ferraz, reconhecidamente um dos maiores intelectuais de Piracicaba em todos os tempos, um dos fundadores do “Jornal de Piracicaba” e seu primeiro redator. Trata-se de um verdadeiro documento do erotismo no final do Século XIX, publicado, naquele jornal, no dia 26 de agosto de 1900. Discorre sobre uma virgem, com o mesmo título. Alguns trechos:

“O quarto de uma virgem é como que o arcano de uma flor ainda por desabrochar; um floco alvo numa placa escura, a cellula intima de um lyrio por abrir que as vistas do homem não deveriam devassar, enquanto não penetrarem os raios do sol. Deve ser sagrada a mulher em botão. (…) Ao pé desta castidade, que nem sequer sabe que é casta, a pennugem do pecego, o polmo da ameixa, o crystal radiado da neve, aza da borboleta pulverisada, são tudo cousas grosseiras. A donzella não é ainda uma estrella, é apenas o clarão de um sonho.”

Na realidade, o erotismo no final do Século XIX será uma arte de delicadezas e de manifestações sutis, como o revelam relatos de festas nas mais famosas residências piracicabanas, em chácaras famosas como as do Morato e Nazareth.

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