Monteiro Lobato, um cético na opinião de Sud Menucci

Em 1946, a escritora Jaçanã Guerrini – casada com Leandro Guerrini, outro piracicabano de destaque, que também escrevia para teatro – teve a idéia de dramatizar um período da vida de Monteiro Lobato. Jaçanã, que tivera Sud Menucci como professor em Piracicaba, pediu-lhe a interferência pessoal para que pudesse desenvolver o projeto. Uma correspondência pessoal, a ela dirigida, mostra, entretanto, que a opinião de Sud sobre Monteiro Lobato não era das melhores:

…“Monteiro Lobato está de partida para a Argentina, onde vai residir. Declarou à imprensa que está cansado de viver num país onde falta tudo e onde há fila para tudo. Muda-se, portanto, para Buenos Ayres, onde sabe que encontrará carne macia para seus bifes e pão branquinho para as refeições, além de outros artigos alimentícios que aqui escasseiam. Sua viagem está marcada para o fim do mês, de acordo com o noticiário, e por aí calculará a dobadoura que deve andar na casa do nosso homem por estas alturas. Aliás, deixeme dizer-lhe que não gosto da idéia de dramatizar um trecho da vida daquele escritor. Não me consta que tenha lances dignos de fixação em drama, pois que se trata, no fundo, de um cético”.

Àquela época, Monteiro Lobato já se consagrara como autor do Sítio do Picapau Amarelo e o criador de Jeca Tatu, ganhando destaque também na luta pelo petróleo brasileiro.

 

 

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