Mata-burro de repórter

Geraldo Nunes foi uma das mais divertidas e queridas personalidades do jornalismo piracicabano. Conheci-o desde os primeiros dias, pois foi comigo e na “Folha de Piracicaba”, levado pela profa.Clarice Aguiar Jorge, que ele começou. Lá por 1962, veja-se o tempo que passa. Ficou apenas alguns dias, pois não tínhamos dinheiro para contratar pessoal. De lá, ele foi para “O Diário” onde se tornou homem de confiança e faz-tudo de Sebastião Ferraz. Voltamos a nos encontrar quando assumi “O Diário” ao lado de Ferraz.

Geraldo Nunes era incansável. E insaciável para escrever, para trabalhar, sempre disponível a tudo. Reportagens, entrevistas, pesquisas, fotografias, publicidade, Geraldo fazia tudo. E sempre pedia mais. Um dia, o Ferraz quis que um dos repórteres fizesse uma entrevista num sítio de Piracicaba, onde acontecia coisas estranhas, acho que uma vidente prevendo coisas, antevendo catástrofes.

Ora, e quem se ofereceu para ir? Ele próprio, o bom e prestativo Geraldo. De máquina fotográfica a tiracolo, em seu próprio carro, lá se foi ele. E as horas se passavam. E Geraldo não retornava. E Ferraz nervoso, aguardando a reportagem. E a redação irritada. Eis que, então, o novato Geraldo Nunes aparece: todo suado, empoeirado, vermelho de sol, cansado. E a entrevista, Geraldo? – todos o cobramos.

E Geraldo, desanimado:

– Não consegui… Tinha um mata-burro na estrada, não deu pra passar…

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