Salão de Humor: o jeito dos premiados

Transformado em um dos ícones piracicabanos, o Salão Internacional de Humor, criado em 1974, e reconhecido mundialmente, foi objeto de estudo do artista Camilo Riani, em dissertação de mestrado. O estudo pretendeu expressar o jeito de fazer rir do Salão InteObra do artista Luís Carlos Fernandes, retratando o escritor Jorge Luis Borges (1º lugar na categoria caricatura, 28º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, 2001 – extraído do livro “Tá rindo do quê?”, de Camilo Riani)rnacional e do Salão Universitário – seu filho menor, criado pela UNIMEP em 1991.

Após analisar boa parte do acervo e os fundamentos teóricos do humor gráfico, Camilo conclui que “rimos do ridículo, do defeito, do exagero, do inesperado! Rimos, sobretudo, da quebra da lógica, da ruptura de uma seqüência esperada, da falta de normalidade, da presença da crítica criativa e perspicaz, embora nem todo humor gráfico apresente-se com um tom crítico de modo explícito”.

Pelos estudiosos, as análises de Riani podem ser conferidas em publicação denominada “Tá rindo de quê?” , que detalha por, exemplo, o que acabou por qualificar cada um dos principais premiados nos últimos anos. Um exemplo: a caricatura de Jorge Luis Borges, primeiro prêmio do Salão Internacional de 2001, de Luis Carlos Fernandes. “Os ricos detalhes ( da caricatura) demonstram (…) a atitude de seriedade, o estilo contemplativo, o distanciamento observador e um ar aparentemente natural de sabedoria/experiência, com um misto de cansaço, que guardamos internamente na lembrança que temos do escritor…O item exagero é claramente verificado: o formato do rosto, as deformidades da testa, do queixo e da orelha, as proporções/desproporções entre cabeça e corpo, o desenho do nariz e particularmente o deslocamento dos olhos, característicos da fisionomia de Borges. E a revelação de aspectos escondidos é observada pela mão direita em posição claramente descendente, em absoluto repouso, parecendo apontar o desânimo e até o cansaço do retratado, que reclamava inúmeras vezes sobre a cegueira que o acometeu na idade adulta.

Também o olhar distante , e aparentemente inexpressivo, revela aspectos íntimos da personalidade de Borges, como a observação, ao questionamento e a crítica às contradições da vida moderna”.

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