A HISTÓRIA QUE EU SEI (IX)

Crise na Câmara Municipal
O controle de Luiz Dias Gonzaga sobre a maioria da Câmara Municipal era absoluto, ainda que pesasse a eleição de figuras de destaque da comunidade, muitos com diploma universitário. Um dos mais graduados, o prof. Érico da Rocha Nobre, da “Luiz de Queiroz” e eleito pela UDN, era tido como uma liderança política nova. No entanto, submetia-se a Luiz Dias Gonzaga, a quem apoiava incondicionalmente, dando mostras da influência e da força do velho “coronel”‘.

Foi, então, que o prof. Acary de Oliveira Mendes, também jornalista, apresentou um projeto de reforma e de construção de prédios escolares, pois o estado dos que existiam era precário, com as crianças, ao invés de carteiras, usando caixotes de querosene para se sentar. Luiz Dias Gonzaga, alegando dificuldades financeiras da Prefeitura, determinou a rejeição do projeto. E assim aconteceu. Foi, então, que, indignado, o vereador Noedy Krãhenbüll da Costa – que fora Juiz de Direito em Martinópolis, Araçatuba e outras cidades – advogado brilhante e emérito linguista, renunciou ao cargo em protesto, proferindo a frase que iria, depois, causar grande confusão: “Estou entre um bando de panurgos tangidos por um almocreve.” Os vereadores não entenderam. Os panurgos eram eles próprios e o almocreve, obviamente, Luiz Dias Gonzaga …

Outro brilhante advogado, jornalista, polemista imbatível, Jacob Diehl Neto, costumava dizer dos vereadores: “Se caírem sentados na areia, não sabem fazer um ‘ó’ com a anatomia ínfero-posterior …” Foi nesse período que outro vereador, Antonio Aggio, eleito pela UDN, foi baleado com alguns tiros, após aumentar as suas críticas a Luiz Dias Gonzaga que, lentamente, começou a se aproximar do Governador Adhemar de Barros, para inquietação do vereador Guilherme Vitti que passou, também, a criticá-lo na Câmara, aumentando a crise municipal.

E Luiz Dias Gonzaga, para escândalo e indignação dos udenistas, afastou-se da UDN e ingressou no PSP de Adhemar de Barros, numa guinada político-partidária que permitiu, ao depois, a própria transformação do cenário político piracicabano. Era quase o início do fim da estrutura monolítica do velho PRP dos “coronéis”.

Enquanto isso, na Câmara Municipal de São Paulo, um vereador começava a chamar a atenção da imprensa e da opinião pública, por sua postura extravagante, seu comportamento exótico, sua linguagem moralista: Jânio Quadros.

*CONTINUA

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