A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXVIII)

Os indícios da cassação
A instabilidade política do Prefeito Salgot Castillon era clara. Não havia mais direitos ou Justiça no país. A Junta Militar definia o que era justo ou injusto, certo ou errado. As violências multiplicavam-se, funcionando perfeitamente a Lei de Newton também na Política, a da ação e da reação. Quanto mais violento o governo, mais reagiam os segmentos politizados do povo. E, quanto mais esses segmentos agiam, mais reagia o governo. As cassações de mandatos e de direitos políticos não se interrompiam. Era total a insegurança do povo e também dos políticos. A doença do Presidente Costa e Silva criara um desânimo ainda maior, pois ele se via impedido de assinar a nova Constituição Federal que tinha assegurado à Nação que extinguiria o Ato Institucional nº 5. A Junta Militar não abria mão dos atos de exceção, a “linha dura” do Exército mantinha-se no poder.

Piracicaba não tinha dúvidas de que o mandato de Salgot Castillon estava ameaçado. E os indícios se tomaram mais fortes quando, pouco antes da posse do Presidente Médici, o Rotary Club de Piracicaba – do qual era presidente o cirurgião dentista Milton Nascimento, que, depois, se tomaria vereador – convidou o General Moraes Rego para uma homenagem que lhe seria prestada. O convite foi aceito e o general fez questão de que, na solenidade, estivesse presente o prefeito Salgot Castillon, maneira sutil de se mostrar que não havia problemas entre o Exército e a autoridade constituída em Piracicaba. Estava tudo aparentemente em ordem quando, à véspera da solenidade, o general cancelou a sua visita alegando “questões de segurança nacional”. A justificativa não foi bem aceita e as suspeitas se tomaram maiores quando, poucos dias depois, o Coronel Cerqueira Lima vinha a Piracicaba para ser homenageado pela Maçonaria em solenidade em que, estando ausente o Prefeito Salgot Castillon, o artista Archimedes Dutra lhe ofereceu, como homenagem, um retrato a óleo pintado por ele próprio. Não havia, naquela visita, impedimentos determinados por “questões de segurança nacional”? Ao mesmo tempo, os “guidotistas”, o MDB e mesmo alguns membros da ARENA tinham como certa a cassação do mandato de Salgot Castillon. Os motivos alegados, entre outros, era a carta que se encontrara nos cofres de Humberto D’ Abronzo, na qual Salgot Castillon havia prometido que, se eleito, auxiliaria o E.C.XV de Novembro com uma dotação municipal de 700 mil cruzeiros …

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